30.6.08

Garantido ou Caprichoso

Qual é o seu? Vermelho ou Azul? Sem dúvida, todos que tiveram a oportunidade de acompanhar pela Band, neste fim de semana, a festa de Parentins ficaram impressionados, com a beleza com evento apresentado. É claro, que o poder do capital está por toda parte, entretanto, o centro era realmente a cultura popular e a natureza. Histórias simples, do cotidiano daquele povo contada com muito luxo e sensibilidade pelos bois Garantido e Caprichoso.

Já havia ficado alegre com as festas de São João transmitidas por algumas emissoras de televisão do nosso país. É verdade, que isso ocorreu com as menores, mesmo assim, fiquei feliz em ver a diversidade cultural sendo mostrado para todo país, fato que fortalece o discurso daqueles que desejam mudanças de conteúdo e ideologias nas programações das televisões.

Nosso país continental, possui uma riqueza natural, folclórica e artística propalada por toda parte, contudo, somos obrigados a ver diariamente os enlatados americano e europeu que em nada contribui para fortalecimento da nossa cultura. E, nem adianta, mandar-me mudar de canal porque todos estão encharcados com os programas estrangeiros ou fazem cópias deles.

Os poucos programas nacionais são idiotizantes e claramente preconceituosos, seja racial, seja sobre a orientação sexual, de classe ou região. Assistam as novelas, os programas de futebol e os jornais lendo nas entrelinhas e isto ficará claro. Prestem atenção como os negros são tratados, aliás, você já viu algum como personagem principal de novela? Com os Gays o tratamento é da mesma forma, inclusive, parecem que eles nem possuem subjetividade. Dois exemplos, que reafirmam a necessidade de mudanças.

Creio que está claro, que a diversidade presente em nosso país não está apresentada nas redes de TV. Só para fechar este simples comentário volto a transmissão do festival de Parentins que juntamente com a beleza do evento estava o desconhecimento da emissora, especialmente dos que participaram da transmissão sobre aquilo que está acontecendo. A confusão de informações confirmou como nem eles conhecem o nosso país. O Brasil é mais que as belezas do Rio de Janeiro e São Paulo. Concorda?

25.6.08

Parabéns a LDU

Ontem assistir o jogo do Fluminense torcendo para LDU. Não tenho nada contra o flu, em outros momentos até gostaria que ele fosse campeão, entretanto, a arrogância, especialmente, do seu treinador não deixou outra escolha. Se têm um aspecto que valorizo, é a humildade e isso eles não tiveram em nenhum momento.

Mas, a derrota também serviu para contrariar as frases profanadas pela mídia e pelas “arquibancadas”, ou seja, “quem espera alcança”, “eu já sabia”, em relação a ser campeão etc. Faltou respeito aos trabalhadores do outro lado do campo e sobraram desculpas depois do jogo, destaque, para a culpabilização do juiz.

É fácil jogar a responsabilidade nos outros pelas nossas derrotas. Dificilmente conseguimos ver os próprios erros e os méritos, neste caso, da equipe adversária. Este caso, confirma os discursos que o esporte como elemento da vida serve predominantemente para reproduzi-la e foi exatamente o que houve.

Um outro elemento para ser discutido é a situação do futebol brasileiro. Desta vez não perdemos para um time argentino e sim para um equatoriano, país sem nenhuma tradição neste esporte. A seleção brasileira está perdendo para todos e pior, perde o jeito próprio de jogar que um dia era temido por todas as outras seleções.

Esta é uma reflexão profunda a ser realizada, o futebol brasileiro está em decadência. A chamada profissionalização do esporte trouxe conseqüências, fato referendado pela “nova” realidade vivida pelo país e o mundo. O ponto central de tudo isso é o mercadorização dele, onde tudo, inclusive os jogadores são mercadorias.

Deixemos esta discussão para outro momento e voltemos ao tricolor carioca, time de tantas tradições e de poucos títulos de expressão. Nos jogos da final o time entrou de “salto alto” mesmo depois de perder no Equador, o time e principalmente o treinador, que ainda não ganhou absolutamente nada, continuaram a provocar a LDU e ontem depois do resultado choraram, contudo, com bolsos e contas recheadas.

A mídia depois de faturar também com a transmissão do evento, jogou também para o juiz a responsabilidade pela derrota do time brasileiro. Talvez o árbitro possa realmente ter errado, algo comum, pois, é humano mas, se o flu tivesse feito o que falaram estariam agora comemorando. O euforismo propalado pela imprensa, destaque para rede golpista globo, foi precipitado e agora depois de serem derrotados apenas citam o acontecimento. Infelizmente nem tive a oportunidade de ver os jogadores equatorianos comemorando.

Bem, vou esperar mais desculpas dos comentaristas esportistas e dos jogadores e membros do fluminense. Como eles não reconhecem, eu digo parabéns ao LDU que veio, fez seu dever sem badalação e ganhou jogando limpo. E para o flu e para todos nós fica os ensinamentos que respeito e humildade não faz mal a ninguém. Além disso, que o ganhar e o perder são elementos do esporte e da vida.

18.6.08

Seleção de estrangeiros

Hoje, fiquei ouvindo os comentários pelo rádio do “canhotinha de ouro” sobre o jogo da seleção “estrangeira” do Brasil. Como todos devem saber a nossa maravilhosa seleção perdeu para a Venezuela. Venezuela? Desculpa, hoje foi para o Paraguai. Paraguai? É isso mesmo, Paraguai. Entretanto, isto segundo ele é o de menos pois, o futebol brasileiro nem mesmo esteve em campo. Interessante ouvir de alguém que está totalmente envolvido com o modelo de esporte hegemônico, que o ganhar ou perder tanto faz uma vez que, o importante mesmo é o como isso acontece. ..
Mas, quem realmente perdeu? Os números do jogo mostraram que o espetáculo obteve lucro de 1 milhão de dólares. Imagine um simples bate bola, duas seleções, vinte e duas pessoas e uma bola gerando tudo isso. Em tempos de mercadorização do esporte pouco importa o placar mas, o quanto se ganha em cada jogo. Há muito tempo que o Brasil não é Brasil e sim um amontoado de jogadores em busca de dinheiro, afinal os jogadores convocados pelos patrocinadores estrangeiros só possuem mesmo o registro de nascimento no país e, da amarelinha só sobrou o saudosismo visto por exemplo na voz do Gerson. ..
A globalização chegou no futebol com toda força e não se consegue identificar o que é jogo de brasileiro e de europeu. Os jogadores são mercadorias que como tais podem valer mais ou menos dependendo do seu desempenho e do marketing que possui. Amor a camisa, raça, vontade, só existem se pagarem bem por cada um destes valores. A paixão não é simplesmente pelo time aliás, estes nem mais existem, agora são empresas com seus patrocinadores. ..
Mas, voltemos ao horrível jogo, aliás, há quanto tempo você não assisti a um jogo todo de futebol? Sinceramente nem lembro e olha que sou um admirador. Temos que confessar que o “nosso” futebol não é tão belo como dantes, mesmo quando reúnem os “estrangeiros” do Brasil, não conseguimos ver um espetáculo digno das estrelas da amarelinha. As desculpas são muitas, os culpados também mas, talvez a reflexão a ser feita é se a frase do Gabriel ainda persiste: “Futebol não se aprende na escola. Por isso Brazuca é bom de bola”. Será que os nossos jogadores são livres para jogarem? O sistema competitivo e financeiro que tornou o esporte pode-se permitir a criatividade, o brincar do garrincha? ..
O jogo tornou tão burocrático e chato que até as desculpas de uma derrota são padronizadas. Vejam as frases do Dunga: “hoje não deu nada certo”, “o time não encaixou seu jogo”, “contra o Brasil os outros times crescem”, “os jogadores estão em período de férias”, “as viagens atrapalham”. Entretanto, ele esqueceu de dizer que tudo isso é algo normal e poderia ser evitável. Contudo, ele é também, mais uma vítima da incompetência dos administradores do futebol brasileiro e claro do modelo esportivo que estamos vivenciando. ..
Se nem a seleção brasileira consegue nos encantar imagine então os nossos clubes de periferia com jogadores renegados pelos europeus e asiáticos. Por isso, prefiro lhe sugerir que saia para jogar um “baba” com os amigos, mesmo que você seja um “perna de pau” do que ficar vendo os horríveis jogos dos nossos times. Além de economizar energia elétrica você poderá divertir muito mais. Aproveite!

16.6.08

A educação agoniza.

O semestre letivo está terminando e a angústia aumenta. A cada dia parece-me que torno mais reacionário. As atitudes já não são mais as mesmas, os sonhos já estão mudando, a esperança em construir um mundo melhor ou quiça uma escola diferente nem mesmo no discurso permanecem. Talvez o Lula esteja correto ao dizer que a medida que envelhecemos os ideiais revolucionários vão se perdendo. Concorda? ..
Como os últimos dias, hoje foi difícil, claro, não se compara aos de Che, Jesus, Ghandi etc, estou bem distante deles mas, o que fazer diante do caos que vivemos? Quando ouvia na faculdade os discursos críticos baseados em Freire, Saviani, Coletivo de Autores, Marcelino etc, achava maravilhoso entretanto, no cotidiano de trabalho percebo que eles apenas seguiam o que Bauman aponta em seu livro “ Modernidade e Ambivalência” ou seja, ordenavam o mundo -como uma das característica da modernidade- contudo, com um olhar de oposição ao modelo hegemônico. Ao imaginar uma realidade eles afastavam da vida real. ..
A realidade vista sob o guarda chuva da ciência, principalmente, nas apresentações estatísticas parece normal precisando de alguns ajustes e nada mais. O discurso cientifico/midiatico, não consegue apreender a dura realidade da maioria das pessoas, exemplo claro é a educação, que já falida, no buraco, agonizando em um leito, com os sinais vitais exaurindo-se e mesmo assim nada é feito de concreto, aliás exalta-se a entrada de mais pessoas no sistema educacional, enquanto outros tantos desistem ou terminam sem mesmo saber escrever o próprio nome ou as operações simples da matemática. ..
Para o Estado o professor é o responsável pela qualidade da educação, se vai mal o problema é dele e não do patrão que superlota salas com 50,60 estudantes sem lugar para sentar e livros para estudar, além disso, sem nenhuma perspectiva quando dali sair. O docente mal remunerado, “mal formado” e também sem perspectiva apenas reproduz e/ou dá “migué”. E desta forma, tudo vai seguindo e os “filosofos percebem estes equivocos mas, nada fazem para mudar”. ..
O que fazer? Esta é a pergunta a ser respondida e sinceramente não sei, fato que me deixa com uma sensação desagrádavel. Talvez seria, realmente, melhor não “enchergar” e simplesmente viver, preocupar mais comigo e menos com os outros. Como não consigo mais pensar desta forma contínuo em busca de resposta e para isso preciso de uma ajuda.

10.6.08

Feliz ano velho

Por acaso, jogado nas caixas de livros da escola, encontro o livro do Marcelo Rubens Paiva “ Feliz ano velho” logo, inicie sua leitura, sem qualquer perspectiva. Ainda não acabei mas, por está sendo deliciosa, emocionante e reflexiva logo irei. Em cada página escrita a sensação de visualizar os seus passos e a cada linha uma nova lição e a torcida por sua recuperação.
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Imagina um ‘burguesinho’ que só queria curtir a vida(mulheres, sexo, drogas e rock etc.) e derepente passa por um “choque” e tudo muda. Como se dormisse em um mundo e acordasse em outro totalmente diferente, tendo de re-aprender a viver, ficando apenas as lembranças, os familiares e os amigos. Mesmo assim, transforma o “deserto em mar” e bem humorado trata aquele momento como um momento(sendo redundante) e vive cada minuto.
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Ao renascer, cada avanço no leito da UTI, constituiu uma conquista enorme. Coisas simples como o ato de caminhar, comer, urinar que para nós passam despercebidas tornam- se metas e conquistas gloriosas para ele. Naqueles momentos, para muitos de tristeza, ele transformou em prazer de viver. As cenas de sua vida são narradas com uma leveza e com traços de felicidade que encanta. Sem contar os momentos difíceis no hospital ou mesmo em casa, que foram transformados conjuntamente aos presentes em lindas histórias.
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Lendo-o veio a memória um amigo, agora espacialmente distante, que passou por cenas semelhantes e felizmente continua construindo sua normatividade e ampliando-a, como diria Canguilhen. Além disso, neste momento triste para mim, com a “perda” de uma pessoa maravilhosa que deixa muitas saudades, o Paiva talvez inconscientemente possibilita a reflexão que alguns dias busco realizar, sobre qual é, mesmo, o sentido da vida.
... Permeando as suas histórias pessoais de curtição e as ocasiões de recuperação existe um senso crítico sobre a realidade, do mundo e do país, impressionante, algo próprio de um adolescente engajado no movimento estudantil e, que teve seus pais presos e torturados pelo regime militar. Acho que já fiz a propaganda, se fosse você sairia desse mundo virtual e começaria a ‘navegar’ nas páginas emocionantes contadas pelo Paiva. Não posso garantir, contudo, vai auxiliá-lo a ver a vida de uma forma diferente e valorizar as pessoas e os momentos vividos, por mais simples que sejam.
... Como diz o Jornal da Tarde: “ Paiva revela seu pique e agarra o leitor, prendendo-o numa leitura capaz de varar a madrugada, e passa a ser cantado pelo público, com expectativas e cobranças de quero mais.”. Boa leitura.

5.6.08

A vida é bela

Ontem o silêncio do meu refúgio foi quebrado por uma doce voz de esperança. A leveza das ações e a felicidade diante das coisas simples deixou-me encatado. Creio que as pessoas mais próximas sabem que sou um apologista da vida no campo ou ainda, da vida que os nomâdes possuem. É fato que todos sofrem e passam por dificuldade mas, estes paradoxalmente estão dentro e fora deste mundo, que desfaz no ar de forma enlouquecidamente e velozmente, as características que nos diferencia dos outros seres vivos.
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Talvez esteja enganado, entretanto, vejo eles como exemplos de pessoas que ainda conseguem apreciar a beleza do “sol nascendo” ou o canto dos passáros. Coisas simples que a fluidez da vida moderna aboliou do nosso cotidiano e, em substituição trouxe falsas preocupações e pseudo-necessidades. Para muitos que vivem a correria da vida mordena( ou pós-moderna), não existe tempo nem para a própria família ou um delicioso bate papo com os amigos. Imagina então, se sobraria um momento para olhar o céu estrelado, para sentir o cheiro da terra molhada ou para ver o vento tocando delicadamente nas folhas das árvores. ....
Em recente visita a uma reserva florestal os estudantes, durante a trilha, foram desafiados a zerar os ruídos e ouvir os sons próprios da natureza, fato que nunca haviam realizado. Atividade que parecia simples, contudo, perante a agitação diária vivenciada por nós, tornou-se complexa. Não poderia ser diferente, afinal, não conseguimos nem mesmo caracterizar os locais que passamos todos os dias, seja indo para o trabalho ou para escola.
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Ao preconizar a vida simples como ideal não há negação dos avanços que a biotenologia conseguiu, apenas questiona-se os excessos, as mensagens subliminares ou as enfâses racionalistas dos discursos atuais. É preciso, uma profunda reflexão na sociedade sobre o tipo de relações sociais/humanas que estamos construindo. A modernidade não cumpriu seus objetivos e nem poderia, é hora então de repensar e elaborar um conjunto de opções para tornar a vida menos dolorosa e mais humana.
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A vida é bela e diferentemente dos gatos nós só temos uma e devemos vivê-la como humanos, respeitando os outros como são, amando-os, ajudando-os. A vida é bela e por ser única precisamos transformar os problemas em oportunidades de aprendizagem e nunca torná-los em obstáculos para a realização dos nossos sonhos. A vida é bela e temos que simplesmente vivê-la, aproveitando cada momento com suas caracteríticas próprias como o último. “A vida é bela” foi o filme que rompeu o silêncio do meu abrigo e, com sua história avessa ao modelo norte-americano fascinou-me.