29.3.07

Che: 40 anos.

Recentemente num fórum de discussão de uma comunidade do orkut uma “menina’ depois de ser provocada colocou que: "Che para mim naum somente é primitivo, como ultrapassado. Vivemos em uma realidade kompletamente diferente da do Che[...]". Ela segue dizendo que os métodos utilizados pelo Comandante são velhos e precisam serem re-elaborados. Logicamente discordei, pois a realidade é a mesma e Che renegado pelos livros de história continuará sendo atual enquanto houver exploração.

Em outubro faz 40 anos que a CIA assassinou-o nas selvas da Bolívia, o guerrilheiro tinha na época 39 anos. No entanto, os norte-americanos não conseguiram acabar com os desejos do Comandante, eles continuam ainda vivos em todo o mundo, inflamando todos aqueles que possuem o desejo de libertação no coração.

Che que ganhou este apelido no México, por sempre utilizar esta expressão quando conversava com as pessoas, nasceu na Argentina, de forma prematura e com 40 dias de vida teve pneumonia e aos dois anos têm a primeira crise de asma. Símbolo máximo da América Latina, Guevara gostava da engenharia, mas acabou decidindo pela medicina, no qual formou em 1953.

Como estudante foi excelente, como guerrilheiro seguiu com ternura e rigidez seus princípios, morreu combatendo pela revolução, sendo que em nenhum momento abateu com as perdas. Che não é primitivo, é presente. Não é ultrapassado é moderno. Perdão Che por não conseguir exprimir a sua valiosa contribuição para a humanidade. Isso talvez porque a sua ação seja mais significante do que qualquer palavra rabiscada. A estrela continua a brilhar e cada vez mais forte, sem nunca perder o amor ao próximo.

"hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamas!” ( Ernesto Guevara).

23.3.07

Onde está o amor?

Amanhã é domingo e centenas de pessoas aqui em Jequié e em todo o país vão dirigir para as igrejas e lá vão ficar algumas horas pedindo, agradecendo a ele por graças alcançadas ou simplesmente por estarem vivos. Quando entram nestes templos religiosos, parecem que estão em outro mundo todos são tratados como iguais, irmãos, mas quando saem "esquecem" das palavras lindas de Jesus e vêem o outro como insignificante, esquecendo que todos independentes de raça, gênero, condições financeiras são também como eles filhos do Deus que dizem acreditar.

É preciso percebermos que somos imperfeitos e cada sujeito possui um jeitinho de ser, valores próprios, gostos, desejos diferentes e portanto cada individuo é de suma importância para o nosso crescimento enquanto sujeitos sociais. Sabe-se que todos precisam de ajuda, mas muitos necessitam especialmente de melhorias, urgente, nas condições de sobrevivência. Não tem como ser cristão verdadeiramente e ao mesmo tempo ser insensível diante da dor e sofrimento dos outros. E não basta apenas dá um prato de comida ou uma moeda, isso não muda a vida de ninguém é necessário conscientizarmos que é preciso dividir o que se tem, transformando de forma radical o modelo social vigente.

Para finalizar digo que fico indignado quando vejo muitas pessoas dizendo que acreditam fielmente em Deus, mas que não conseguem seguir o mandamento "básico": "amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo". O amor que muitos dizem ter está apenas em palavras ficando distante das ações. Será que são cristãos apenas em suas orações? "Onde está o Amor"? Eu acredito que o amor a Deus tem que ser expresso tratando o outro ser humano como irmão, ajudando-o e não explorando e depois pedindo perdão.

“Pessoas matando, pessoas morrendo. Crianças machucadas. Você pode ouvi-las chorando. Você consegue colocar em prática o que você reza?”(Justin Timberlake).

21.3.07

Ousar lutar, ousar vencer

É inacreditável que ainda encontremos milhões de pessoas sem ter o que comer, sem uma casa, sem um emprego, ou seja, não possuíndo condições mínimas de viver. É triste ver indivíduos diariamente pedindo uma moeda ou um prato de comida. Por que tanta insensibilidade dos humanos se tudo no final fica para as traças? Enquanto uma minoria está preocupada com os cachorros, ou cabelo, gastando dinheiro em coisas supérfluas, outras tantas tem que comer os restos sobrados das feiras livres como visto na cidade de Jequié/BA. E o Estado o que faz? Na verdade o Estado liberal ou neo-liberal que constitui a essência desta democracia burguesa diz ser caracterizado pela igualdade. Mas, não concordo, pobres e ricos são tratados de forma diferente.

Para manipular as nossas mentes a elite renova a cada eleição os cenários de esperança, de possíveis mudanças. Isto aconteceu claramente em 2002. Fruto de um dos piores períodos da nossa história era necessário surgir alguém para acalmar os “ânimos” da sociedade e, eis que surge Luiz Inácio Lula da Silva, um lulinha reformado e enquadrado no modelo, pois perdera os ideais que possuía quando sindicalista.

De origem humilde, nordestino, trabalhador, sindicalista, lula por vários anos questionou o caminho que estavam construíndo para o país, no entanto, teve que ceder para está na cadeira de presidente. Conseguiu ter o povo e os empresários, pois, buscou agradar ambos, concordo que mais o segundo grupo. Se possível esqueço rapidamente todos os ensinamentos de Marx e de forma romântica digo que é fato que o Brasil mudou como prometera em campanha e em seu discurso de posse no congresso. “Vamos mudar, sim. Mudar com coragem e cuidado, humilde e ousadia, mudar tendo consciência de que a mudança é um processo gradativo e continuado, não um simples ato de vontade, não um arroubo voluntarista. Mudança por meio do diálogo e da negociação, sem atropelos ou precipitações, para qu o resultado seja conscientemente e duradouro”. Mas a mudança como anunciara fora superficial e claro muito pouca, característica do modelo de Estado existente. Como ele (Lula) gosta de dizer nunca houve na história deste país, governo que conseguisse agradar tanto pobres (inconscientemente) e ricos.

Sabe-se que somente o povo unido irá conseguir superar o caos social existente na sociedade, não será governos de direita, centro e esquerda que fará. Portanto, é importante que aqueles que desejam a superação deste regime social, sejam corajosos para travar os debates e os combates, desafiando as dificuldades e ocupando os espaços. É uma insanidade acreditar e depositar esperanças de transformações na “sensatez” ou boa vontade de líderes do Estado burguês, isso é ilusão, eles não podem, não querem e não farão as transformações sociais, somente à população unida conseguirá. É preciso que ousemos sempre a lutar e a vencer.

20.3.07

Qual é a música?

Desde o período primitivo que os seres humanos fazem música, mostrando suas dores, alegrias e os acontecimentos marcantes. No Brasil, pela diversidade existente, cada região possui ritmos próprios, marcos específicos. No entanto, com o surgimento da indústria cultural inicia-se por parte da elite uma tentativa de padronização musical, buscam criar estilo único, facilitando e aumentando seus lucros com a venda desta manifestação artística. Basta sintonizar nas programações seja de rádio, TVs para percebermos que são sempre os mesmos cantores ou estilo musical presente na grade das programações. Têm emissoras que repetem várias vezes durante o dia a mesma música, construindo um padrão de qualidade desconfiável.

Eu sempre gostei de músicas, adoro ligar meu “radinho” de pilha e ficar ouvindo as músicas, os comentários, as ligações das pessoas com assuntos diversos e as manhãs sertanejas com músicas ligada à vida no campo, muito bom. Nas cidades menores, interior, o rádio continua sendo o principal meio de comunicação, principalmente para os moradores da zona rural. Mas é visível a influência da indústria cultural mesmo de forma inconsciente em muitos radialistas ou ouvintes.

Ficou perceptivo meu gosto pelas músicas ligadas o trabalho na fazenda, mas não resisto aquelas que me faz pará e ficar minutos, horas e dias refletindo sobre suas letras como as de Geraldo Azevedo que estou ouvindo agora. Lógico que as primeiras também nos fazem refletir sobre a vida, mas é que estas últimas são mais diretas, “específicas”. Dentre todas têm uma que nunca esqueço, e inclusive usei na minha formatura, nenhuma mexe tanto comigo como "Another Brick In The Wall Part 2 " de Pink Floyd. Eu não gosto de músicas estrangeiras, no entanto, assistindo o clip dela e vendo a tradução fiquei impressionado e triste com a constatação da banda sobre a educação e principalmente em relação aos professores. Eles dizem: “Nós não precisamos de educação. Nós não precisamos de controle mental. Sem sarcasmo obscuro, na sala de aula. Professores, então, deixem as crianças em paz!! Eii, professor, deixe nós, as crianças, em paz!! No total, você é somente mais um tijolo no muro[...]”. Não tem como ouvir ou ler e não “viajar” em suas letras.

A música faz parte do nosso cotidiano e é de suma importância para nossa formação por isso acredito que elas têm sempre algo para acrescentar, ajudando a tonarmos mais humanos. Não consigo admitir que as pessoas simplesmente ouçam, leiam ou conversem e no final não apreendem “nada”. Posso está errado, mas é pensando assim que acredito na necessidade de aproveitar melhor o tempo livre que possuímos para questionar, duvidar sempre de qualquer suposta verdade.

"Entra ano, sai ano, cada vez fica mais dificil o pão, o arroz, o feijão, o aluguel. Uma nova corrida do ouro o homem comprando da sociedade o seu papel. Quando mais alto o cargo maior o rombo. Eu dando milho aos pombos no frio desse chão" (Geraldo Azevedo).

9.3.07

De qual lado?

"Que os pobres, fiquem menos pobres e mais incluidos e os ricos mais confiáveis e solidários". Esta foi uma frase que ouvir em um discurso hoje, olhe que é um dirigente ligado a educação. Depois disso, me veio na mente o que esta pessoa deseja? Pois, não têm como você ao mesmo tempo defender os interesses dos opressores e dos explorados. Enquanto quem têm e está no poder buscar manter e ampliar, os que não são beneficiados buscam tomá-lo, esta é a logíca.
Na verdade, discurso deste tipo acaba passando uma mensagem de possível harmonia social entre as classes, criando um cenário de cumplicidade inexistente. É o chamado pós-modernismo, ou, simplificando, a criação do capitalismo mais humano. Isso é o que a maioria dos governos defendem, inclusive o nosso. Como diz o próprio slogan do governo federal: "Brasil um país de todos". Mas, pensando bem talvez esteja errado e eles corretos, afinal no sistema existente os governos só podem realmente minimizar as diferenças, pois as transformações radicais são feitas através de outro método.
A história não chegou ao fim como alguns dizem, a sociedade não é regida por leis naturais, nós temos a capacidade de adpatar a natureza aos nossos desejos e precisamos definir de qual lado estamos e começar em qualquer local. Como canta eternamente Raul Seixas "Viva a sociedade alternativa". Viva!

7.3.07

Quem é ela? Quem é ela?

Oi, oi. Quem é? Eu sou...E você? eu... Foi assim que começou, do nada, simplemente aconteceu e pronto. Tem algumas coisas que não possuem explicação, acho que é até melhor, pois, saímos do obvio, do concreto, do exato e viajamos no mundo dos mistérios fazendo a vida ter sentido. Hum, mistério este poderia ser seu sobrenome, menina-mulher, mãe-filha, trabalhadora-aprendiz, enfim linda como a pérola"lapidada" durante a vida.
Sensível e frágil como as pétalas das ROSAS mais belas que exala um perfume de pureza nunca sentido e de imperfeição, visto que perfeito somente o Deus que acredita fielmente. Responda-me por que tão distante parece-me tão próxima e presente? Diga-me por que encantas se nem te conheço? Arisco, acho que é porque ès sincera, honesta, verdadeira e como bem disse, não és de ferro,nem um mito e sim um ser humano que sonha, que sofre sofre, que sorrir, que chora e perdoa.
As palavras nunca foram minhas amigas, na verdade é um problema de formação, mas talvez nunca saiba, talvez você nunca leia, talvez nunca te veja, talvez tudo se perca como começou, tudo bem, a vida segui, novos caminhos aparecem, mas nunca serei o mesmo, serei sempre um pouquinho de você.
Para finalizar pego emprestado parte da letra da música Desenho de Deus de Armandinho. Ele diz:
"Papai do céu na hora de fazer você.
Ele deve ter caprichado pra valer.
Botou muita pureza no seu coração
e a sua humildade fez chamar minha atenção
tirou a sua voz do própolis do mel
e o teu sorriso lindo de algum lugar do céu
e o resto deve ser beleza exterior
mas o que tem por dentro para mim tem mais valor"

Educação: qual o problema?

Sou um privilegiado, concordo não recebo bem, mas desde o último ano tenho tido oportunidades maravilhosas e podendo desenvolver um trabalho gratificante. Acabei de chegar da escola foram duas aulas seguidas na quinta série com estudantes lindos, sorridentes, questionadores, espertos como todas as crianças que possuem oportunidades. Tudo que planejei aconteceu e ainda tive que ir além pois são muito curiosos e gostam de estudar- o que nem sempre é prazeroso. Mas, porque nem sempre isso acontece nas escolas deste país? A escola que acabo de chegar é particular e a quinta série que referir possui nove alunos o que significa ser quatro a cinco vezes a menos o número de estudantes encontrados em salas nos outros estabelecimentos de ensino, esta é a principal diferença existente. A resposta não é porque a escola é particular, mas porque nela existe a possibilidade do professor dialogar e conhecer cada estudante, percebendo suas características e as potencialidades a serem desenvolvidas. É fato que o sistema educacional brasileiro está necessitando de reformas ou melhor de uma revolução, o que eu duvido que o atual governo faça. É impossível, por mais vontade que o professor tenha, que os estudantes consigam resultados qualitativos e quantitativos no que diz respeito a aprendizagem. Então o que fazer? Baixar a cabeça e continuar deixando da forma que está? Acho que não, pois parece que acostumamos a ficar simplesmente reclamando e naturalizando os fatos problemáticos, não que a crítica deva deixar de ser realizada, mas que juntamente com ela possa ser desenvolvidas ações no sentido de mudança para melhor do quadro encontrado. Pois, entendo que poucos são realmente os professores que vão trabalhar na escola por não possuírem outra opção, da mesma forma que as crianças não são culpadas pelo estado que encontra a educação institucionalizada, eles só querem estudar. Depois de tudo isso vem novamente a pergunta o que fazer? A resposta é difícil, mas que tal começar pela organização da classe ou estimular a reflexão dos estudantes sobre isso. Não existe mágica e o máximo que iremos conseguir é construir os alicerces para uma educação de qualidade.

5.3.07

Comunista?

Não sei por que, mas hoje me veio lembrança de um dos muitos debates que travei no tempo de estudante de Educação Física na UESB. Diante de uma questão que “rodava” na mesa um colega em sua resposta disse ser comunista, ”eu sou comunista”, naquele momento eu fiquei estarrecido, e pensei, será que esse cara sabe o que está dizendo, mas não intervir, pois ficou claro para todos que estava cometendo uma infâmia com os grandes comunistas. Quando nos propomos a discutir projeto de sociedade vejo que existe três posições. Uns que odeia as idéias marxistas, por estarem satisfeitos com status quo. O segundo são os marxistas convictos, ferrenhos defensores do regime socialista; e por fim aqueles do "oba,oba" que vão de acordo aponta a bússola do grupo que ele está no momento. Vejo que a maior parte da população se encontra neste terceiro, necessitando de uma mudança de direção e é claro que a bússola deverá apontar para a superação do atual regime, pois como coloca Mao Tsé Tung o "sistema socialista acabará por substituir o sistema capitalista; essa é uma lei objetiva, independente da vontade do homem" diz ele no "livro vermelho".
Mas, afinal o que é ser um comunista? É muito fácil se declarar comunista, esta palavra tornou-se meramente um adjetivo como outro qualquer, se fosse usado no perído militar, por exemplo, a pessoa seria presa por desordem, desacato etc. Sinteticamente acredito que comunista é aquele que coloca seus interesses no mesmo patamar dos desejos coletivos e consequentemente da revolução.

2.3.07

Ser diferente é normal? Ou normal é ser diferente?

A escola de samba Império Serrano cantou neste último carnaval o viva a diferença, pena que acabou caindo para a segunda divisão, talvez por ela ter sido muito normal. Mas deixou a reflexão no ar, o que é mais importante. Não tenho duvida que ser diferente é normal, em todos os momentos por mais camuflado que seja temos algo de diferente das outras pessoas, seja um simples olhar, um jeito de caminhar ou até mesmo preconceitos. Como professor sei que cada estudante tem seu jeito especial de ser, suas manias, seus preconceitos, normal. No entanto, tenho que relatar que fui surpreendido,não esperava. Foi o primeiro dia de aula, quinta série, crianças super ativas, lindas, depois da atividade de aproximação noto que um dos estudantes até aquele momento não havia se manifestado, tímido(pensei eu) mas continuei conversando ele copiava a máteria que estava no quadro deixada pelo professor anterior. Percebo e pergunto seu nome e não tenho resposta. Novamente questiono, aí vem a resposta de um colega, "professor ele não te escuta, ele é surdo". Eu que sempre defendir que estudantes com necessidades especiais estudassem na rede regular, agora tinha a obrigação de contribuir para a sua formação e daqueles que estão próximos. É fato que no momento fiquei perdido, mas como diz a letra do samba " Eu quero ver o amor florescer ser diferente é normal", ou seria normal é ser diferente.