21.11.10
Copa 2014 e jogos olímpicos: nem otimista e nem crítico ingênuo
O Brasil nos próximos anos sediará os principais eventos esportivos do mundo, a copa de futebol em 2014 e os jogos olímpicos de 2016, algumas análises (os otimistas) apontam simplesmente os possíveis benefícios para o país ou seja, os ganhos na infraestrutura, na chegada de mais turistas...
Outras analises estabelecem criticas através de comparações do quanto poderia ser feito na melhoria da qualidade de vida do brasileiro com dinheiro que será gasto com estes megaeventos (para a copa do mundo estimativa apontam atualmente cerca de 11 bilhões de reais serão gastos e para as olimpíadas mais de 25 bilhões). Para os críticos o Pan do Rio 2007 é um exemplo de desperdício do dinheiro público afinal, o custo total do evento ficou seis, sete vezes mais do que programado inicialmente.
O fato é que milhões de pessoas no Brasil ainda passam fome, não possuem casa ou mesmo quando têm não possuem acesso à água, esgoto e bens materiais básicos é verdade que o dinheiro gasto com estes eventos poderiam mudar a vida de milhões de brasileiros pois, muito dinheiro será investido, além dos benefícios fiscais que estão sendo concedidos para “os senhores do esporte”. Contudo, não basta fazer criticas deste tipo, a copa de 2014 e os jogos de 2016 são uma realidade, eles vão acontecer no Brasil e dinheiro público será colocado neles então, o que devemos fazer?
É importante ter claro que vivemos num país capitalista, tendo um Estado burguês que por mais que sirva a classe dominante necessita fazer concessões aos trabalhadores. Pontuado isto, vejo que é preciso que comportemos como intelectuais orgânicos, começando a disputar espaços e colocar alternativas. Desta forma, antes de discutir os megaeventos faz-se necessário perceber qual o nosso papel nesta sociedade? Qual a importância do investimento público no esporte? Nestes últimos oito anos este campo foi dominado pelos “senhores do esporte”, no governo Lula tiveram aproximadamente 70%dos recursos (BUENO, 2008), ou seja, predominam investimento no esporte de rendimento quando deveria ser o contrário, democratizando o acesso a prática esportiva.
Além disso, não cabe mais ser contra os megaeventos, já está superado, temos que avançar na discussão com nossos pares na busca de alternativas ao projeto existente buscando ganhar dividendo para quem realmente vai pagar as contas deles. Os estádios não podem ser “elefantes brancos”, as arenas esportivas para o “Rio 2016” não podem ser abandonadas. É preciso colocar na pauta que a prioridades são os legados destes eventos para os brasileiros.
7.11.10
Dilma é aí?
Já faz uma semana que tivemos o término do processo eleitoral e o resultado para presidente deu a vitória para uma mulher, Dilma, a primeira na história deste país. Entretanto, o fato de ser do gênero feminino não significa muito, será apenas um símbolo como a eleição de Obama, negro, nos EUA, o preconceito continuou existindo. O ponto de análise deve ser sobre o projeto que ela possui para o Brasil nos próximos quatro anos, será o mesmo do Lula já que são do mesmo partido político? Ou teremos mudanças “à esquerda”?
Dois projetos não muito distintos estavam disputando as eleições deste ano, um representado pelas forças de centro-direita que pelas administrações nos governos municipais, estaduais e federal apontam para um Estado menor, preocupados em cortar gastos e criar as condições necessárias para o capital expandir e consequentemente crescer a acumulação. Já a Dilma, o PT, apesar das politicas ao longo destes oito anos em direção a direita ainda apresentam como proposta um Estado mais presente na resolução dos problemas sociais. Tanto é assim, que nas classes mais baixa ela obteve maioria absoluta de votos.
No governo Lula, tivemos os problemas sociais sendo amenizados e os grandes bancos, empresas, a classe alta continuou lucrando. Na verdade ele tentou “servir a dois senhores”, como se isso fosse possível, buscou reduzir as desigualdades, a pobreza e manter o ganho dos donos do capital.
O fato é que milhões de pessoas ainda continuam passando fome, dormindo debaixo das pontes, viadutos, os sistemas de saúde, educação funcionam precariamente e o que deveria ser prioridade não está na agenda do governo federal, aliás, prefere construir estádios a casa para as pessoas morarem. A Dilma da mesma forma que o Serra teve sua campanha financiada por grandes construtoras, bancos e assumiu compromissos como o Lula em 2002 e 2006 de não mudar o rumo da economia e das politicas públicas do Estado.
Tomara que esteja errado mas, o país que possui um dos piores IDH do mundo continuará nesta situação, teremos apenas uma amenização da situação da nossa população contudo, nada muito diferente do que estamos vendo atualmente. É preciso fortalecer a esquerda, fortalecer os movimentos sociais que durante o governo Lula foram cooptados e travar a luta nas arenas, inclusive na democracia burguesa, por uma sociedade mais humana e justa para todos.
4.11.10
O show do resgate dos mineiros
Recentemente o resgate dos mineiros chilenos foi o assunto principal em diversas emissoras de televisão do mundo, eles tornaram estrelas, entretanto o que me chamou atenção foi à superficialidade das discussões dos comentaristas e a super exploração daquele momento pelos meios de comunicação, pelos políticos e pelas grandes empresas. Desta forma, centro este devaneio em três aspectos: a relação capital-trabalho, aludindo a situação dos mineiros no Chile semelhante situação de trabalho de milhões de pessoas no nosso país; o circo midiático montado no resgate; e por fim, as eleições de 2010.
O interessante que a mídia transformou aquela situação catastrófica, em um grande espetáculo, faturando em cima da dor, desespero e necessidade daquelas pessoas de estarem trabalhando em situação insalubre, o que faz lembrar as condições de trabalho do século XVIII. Enquanto, os mineiros ficavam esperando o socorro, os patrões continuavam concentrando renda e tornando mais ricos (e, de camarote assistiam o resgate, comendo pipocas e vendo os comerciais de suas empresas). A preocupação dos veículos de comunicação não era com os chilenos soterrados e nem com o absurdo de encontrarmos em pleno século XXI seres humanos trabalhando e vivendo em condições sub-humanas. O verdadeiro show promovido tinha objetivo simplesmente de faturar mais “verdinhas” afinal, por trás das lentes possui grandes empresas.
A situação de milhões de brasileiros não é diferente daqueles chilenos, coadjuvantes das transmissões midiáticas, que diariamente lutam em diversas situações para levar para casa o alimento para continuarem vivendo e no caso de nossa região ainda precisam “fugir” para outros lugares para conseguir isso. Penso que a saída não é a humanização do capital mas, a transformação do modo de produção, não basta apenas às migalhas.
Esse debate apareceu superficialmente nesta eleição de 2010 e neste segundo turno foi definitivamente esquecido, todos falam em amenizar a situação da população brasileira alguns de forma mais incisiva com um Estado mais forte e interventor, já outros com a diminuição do Estado e por consequência das políticas públicas. Infelizmente são essas as opções que temos neste momento e felizmente somos atores de nossa história e temos a capacidade de transformá-la. Desta forma temos que sair da platéia e assumir o roteiro desta sociedade.
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