26.4.07

Homem é que sois.

Quem é você? Quem sou eu? Quem somos nós? Todos um dia fizeram estas questões. Bem, se perguntasse a Drumond quem somos ele mandaria olharmos as etiquetas que carregamos para descobrir. Somos um amontoado delas sem rumo, perdidos no planeta matrix, menos humanos e mais coisas. Não temos mais identidade, agora somos reconhecidos pela marca da roupa, pelo rotulo da bebida que está na mesa ou mesmo pelo símbolo do tênis.

Os seres humanos estão sendo valorizados pelo quanto podem consumir e não por serem sujeitos sociais. Que mundo louco é esse que estamos construindo? Não quero isso para meus filhos. Todos merecem respeito independente do quanto que possui. Aliás, não consigo aceitar tantas diferenças, é um absurdo, chega disso. Como são tão insensíveis ao choro de uma criança ou de um pai que não tem seus direitos garantidos e precisam sair pedindo, um gesto para eles de humilhação. Deus que mundo é este?

Por que não param com esta ambição idiota que destrói seus irmãos e o mundo a sua volta. Quem eles pensam que são? O que eles querem? O que você quer? Dinheiro e depois mais e mais para que? Não sou hipócrita eu quero, tenho desejos, muitos, é verdade, a maioria supérfluos que espero enterrar, mas, porque matam por ele? Parem com isso, não agüento mais. Dividam, ajude, o que adianta tantos números na conta se no final tudo acaba.

Ei, por favor, não sejam manipulados jovens, não fechem os olhos para a situação de exploração que vive milhões de seres humanos em todo o mundo. Vejam a beleza no sorriso de uma criança, não deixem estes loucos, maltrata-las, ajude-as. Vamos sonhar e trabalhar para que possamos construir um mundo melhor. Ele é possível, não desistam e não deixe que eu desista, é difícil, mas não impossível.

Nós somos humanos e não objetos ambulantes. Não tenho preço e nem você, temos sentimentos e inteligência para transformar o nosso meio. Tudo está conectado, tudo é construído pelos homens e só nós podemos transformar. Tudo está por fazer. Vamos refazer?

Eu, etiqueta

19.4.07

Etanol: alternativa ou mais fome e destruição?

Neste ultimo domingo(15/04) depois de mais uma viagem cansativa e solitária, ponho-me a assistir as noticias do campo como de costume, mas para minha surpresa o programa da emissora golpista e alienante inicia com um editorial, fato que ainda não havia visto. Os apresentadores tecem críticas a cerca das posturas de Hugo Chavez e Fidel Castro que vem recriminando alguns lideres mundiais entre eles o terrorista number one G. Bush, pela sinalização de utilização dos produtos agrícolas para a produção de biocombustiveis.

Segundo Chavez e Fidel o uso da produção agrícola como combustíveis vai aumentar a população que passa fome no mundo. Os apresentadores do programa discordaram e argumentaram dizendo que o petróleo precisa ser substituído por não ser uma fonte renovável e os produtos vindos do campo devem ser utilizados enquanto os humanos não dominam a tecnologia de produção de energia via sol ou hidrogênio. No final colocaram que isto deveria ser feito com bom senso para que não houvesse um caos no mundo pela falta de alimentos.

Depois disso tudo qual a análise a ser feita? Primeiro que discordo em partes de Chaves e Fidel o problema da fome no mundo não é simplesmente pela pouca oferta de alimentos, mas é principalmente devido à má distribuição de renda, o que o presidente Lula vem defendendo. Neste aspecto, portanto, o que falta também é condições para que as pessoas possam produzir seu próprio sustento.

O segundo ponto é que os apresentadores estão corretos quando abordam a urgência em substituir o petróleo por fontes renováveis. Mas eles omitem o verdadeiro motivo desta correria que é o fato dos EUA, o todo poderoso, está ficando dependente de países como a Venezuela. Não estou diminuindo a importância da utilização de energia “limpa” mas, alertando que se não fosse o caos norte-americano dificilmente teriam tanta pressa para que isso acontecesse.

E a última reflexão que o editorial do programa possibilita é sobre a inocência ou “sacanagem” dos apresentadores quando pedem bom senso para o capital na hora da produção e escolha para onde este deve ser destinado( mesa do trabalhador ou para a manutenção de giro do capital). Será que eles acreditam que o capital possui bom senso ou alma? É obvio que quando os produtores começarem a ganhar, mais eles vão querer e menos alimentos teremos e é neste momento que o Chavez e o Fidel têm razão. O capital não preocupa com as pessoas, mas apenas com o lucro e para consegui-lo vale tudo.

Defender e implantar alternativas energéticas é necessário, mas desde que não interfira e piore as condições de vida dos trabalhadores que já sofrem tanto.

13.4.07

João em Versos

No último natal ganhei, de uma amiga, um livro de presente, não, não era só um livro, era o livro. O autor era João Cabral de Melo Neto e o título: melhores poemas que fora selecionados por Antônio Carlos Secchin. Eu que nunca havia tido a oportunide de debruçar-me sobre os rabiscos poéticos tinha em minhas mãos uma primazia da arte em escrever em versos. Como uma criança quando ganha um brinquedo, despir de toda a majestade de "intelectualoide" imposta pela academia e deleitei sobre as páginas ainda não molestadas pela inteligência deste humano.

Como um malfeitor comecei a malhar de um em um os versos escritos com a sensibilidade de um artesão e habilidade do guerreiro dominador do mundo das letras que com minimas palavras transmite para os alfabetizados a infinidade dos raios de luzes que direcionam os passos deste planeta formado de Severinos, Marias de reis, rainhas e presidentes. Há tem os escravos e operários, os patrões e os delegados enfim o chicote e os chicoteados.

Passados quatro meses eis que retorno aos velhos versos com a mesma paixão do passáro que esqueces de todos os riscos e doa-se pelo seu filhote recém nascido. Entretanto desta vez, não mais como o simples ignorante que ajudava a roda a girar e o mundo a rodopiar, mas como ignorante necessário que entendeu que o mundo é sua invenção e o homem seu irmão de condução.

Ao voltar a ler as linhas e entrelinhas do livro de poemas do velho João, ele que agora encontra-se em lugar desconhecido pela ciência, mas celestial para os humanos crentes no ser onipotente e onipresente, sinto as algemas menos apertadas e as navalhas do canavial menos presente e cortante. Mas, as cicatrizes, ainda, estão abertas, as pedras e o relho continuam a dilacerar vidas e sonhos.

Neste momento que o sol pôs a sair e as nuvens desvanecem aos poucos, matuta na minha mente diversas indagações, mas para uma não tenho resposta e portanto, questiono as vozes do infinito para onde a roda deve ir?

Tecendo amanhã*

"Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito de um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos".

*João Cabral de Melo Neto

Morte e Vida Severina

5.4.07

Um peso, duas medidas

Finalmente terminei de ler o livro de Lucia Hippolito- Por dentro do governo Lula. Talvez este tenha sido o que eu mais demorei, foi quase um mês e ainda estou tentando entender. É verdade, não consigo compreender porque o enorme preconceito de setores da mídia e dos grandes proprietários possuem com o Lula. É isso mesmo, o problema não é o governo com seus projetos, pois este não mudou muito das administrações liberais ou neoliberais anteriores, mas o "preconceito" é com o Lula ou seria da classe que ele veio?

O atual presidente constitui uma exceção. Isto porque poucos são no mundo e talvez no Brasil ele seja o único a ocupar o cargo de gestor máximo do país vindo da classe trabalhadora. Ele é uma imagem legitima da maioria da nossa população, menino que vêm de uma família pobre, pais lavradores, nascido no interior especificamente no nordeste e que desde cedo teve que trabalhar para ajudar em casa. Tudo que aprendeu foi na lida diária, pois lhe foi negado o direito a escola. Foi preso, torturado, sindicalista e fundador do partido dos trabalhadores.

Lula sempre teve uma forte relação com os setores sindicais e com a luta dos trabalhadores. No entanto, a materialização de políticas públicas para a melhoria da qualidade de vida de quem o elegeu está distante. Quando ainda era deputado abominava a possibilidade da união entre capital e trabalho. "A tese da integração entre o capital e o trabalho é um engano; jamais poderá haver integração entre o explorado e o explorador". Mas hoje o discurso é outro, o projeto de socialismo foi engavetado. Ele está bem distante de ser o Chaves ou o Morales. E mesmo assim continua a ser criticado por quem vem sendo beneficiado. Por quê?

A crítica e auto-crítica é uma arma fundamental para todos os marxistas como coloca Mao e deve ser realizada. A carta capital por exemplo faz muito bem, pois é uma crítica coerente ao governo e aos seus projetos conservadores, mas os tradicionais urubus do poder tem é preconceito, é raiva de classe. Portanto, preconceito ou o òdio que está no diário de Lucia Hippolito e encontrado diariamente na mídia, configura como sendo de classe. Os setores dominantes da sociedade quando criaram a estrutura do Estado não acredivam que alguém de fora do "ninho" pudesse ocupar o cargo máximo existente no país. Isso é visível no tratamento que a imprensa faz quando o presidente repete as ações de Fernando Henrique Cardoso, com os mesmos princípios ideológicos. Quando este fazia era aceitável porque era o professor, doutor FHC, mas basta o Lula fazer para ser chamado de analfabeto, ignorante grosseiro, alçado a um posto que não lhe cabe. Como dizem é o mesmo peso, mas com medidas diferentes.