15.6.07

De qual lado está?

Recentemente uma amiga, na qual possuo o maior carinho e respeito, disse-me que meu blog era pessimista e cético em várias coisas, fato que concordei plenamente, pois, são características que realmente possuo. Não consigo pensar diferente em relação, por exemplo, a forma que estamos construindo esta sociedade, sobre a grande mídia alienante e golpista etc. É tudo sem sentido, como ouvir todos os dias crianças pedir no portão da minha casa, comida, água e acreditar em frases do tipo "se elas acreditarem e trabalhar vão conseguir mudar de vida" ou "cada um tem o que merece”, ridículas e servem apenas para a acomodação e submissão.

Como não ser uma pessoa cética diante das noticias dos jornais ou perante o nosso cotidiano de miséria, onde as pessoas só buscam tirar vantagens uma das outras para ficarem mais ricas, poderosas ou mesmo para pagar as suas contas no final de cada mês. É difícil alimentar os sonhos se a única coisa que pensamos é em como conseguimos mais dinheiro para saciar as verdadeiras necessidades ou as criadas pelo mercado.

Como não ficar nervoso com aqueles que estão no poder que poderiam contribuir de forma mais efetiva para reafirmar a nossa ideologia e não mais compartilha dos mesmos desejos e agora freqüentam reuniões de banqueiros e empresários, proclamam, nós como os inimigos e os usineiros como os heróis da nação.

No domingo (10/06) os seus papagaios em um programa da rede bobo disseram que: "ser dono ou empregado não é uma questão de escolha, é uma questão de vocação" e foram além, "se você gosta de trabalhar em grupo e ouvir a opinião de outras pessoas, então você nasceu para ser empregado. Se você gosta de decidir as coisas sozinho e não aceita palpites, então você nasceu para ser dono". Nunca vou acreditar nisso, não existe determinismo, infelizmente algumas pessoas realmente não podem fazer escolhas porque são marcadas pela dor da fome, sede, moradia etc e não porque carregam isto desde quando nascem.

Não mudei de lado e nem estou em cima do muro, apenas às vezes em meus devaneios fico a perguntar em que acreditar se a vida segue e os dias parecem ser tão iguais, as mudanças tão pífias, há crianças pelas ruas, há adultos em lixões e bandidos no congresso, na prefeitura. Por mais que trabalhamos diariamente para mudar tudo isso é sempre muito pouco, pois, em outros locais reafirmamos este sistema de exploração. Mas, o que me mantém forte é a crença na minha ideologia, o Cazuza estava correto e que ela concretizasse logo.

É verdade quer queria ter mais fé em Deus e nos meus oráculos ou realmente ver as transformações acontecerem de forma efetiva para a vontade de seguir na luta continuar mais forte. Eu sei que não vou desistir deste caminho, pois todos os Marcolas, os Lulas, ACMs um dia foram crianças, brincaram, choraram e passaram pelas mãos de professores como eu e você. Mas, o que faço é muito pouco, aliás, acho que fico mais reclamando do que realizando intervenções.

Chega disso, vou trabalhar, ver gente sentir o calor das pessoas, principalmente o das crianças que ainda são honestas e me fazem ver a esperança em seus olhos, por mais longicua que ela possa está. Espero que possamos amar mais as pessoas, pois o amanhã não existe. Não existe nada mais lindo do que fazer o outro feliz e não adianta fugir dos problemas eles existem, muitos deles são criados por nós e a covardia é pior, por isso abrir os olhos e enfrentar o caos social é a única saída.

Ideologia

13.6.07

Ao amigo

É verdade que estou ficando velho, as marcas da idade estão aparecendo, não tenho mais a capa de proteção que me revestia quando criança e adolescente. Mas, a mudança fundamental que percebo está na forma que vejo a vida, as pessoas, o nosso mundo e isso devo muito aos sujeitos sociais/históricos que tive e estou tendo a oportunidade de conhecer. Sempre concordei que existe pessoas que passam em nossas vida e pouco contribuem, outras, entretanto, deixam marcas profundas, sejam elas positivas ou negativas, todas necessárias para o caminho que abrimos a cada manhã.

Uma das "coisas" que aprendi nestes últimos anos é a importância de deixar as pessoas que gostamos com palavras e gestos carinhosos, pois aquele pode ser o último encontro. Portanto, todos os momentos que tivermos com nossos familiares, amigos, colegas deve-se aproveitar ao máximo, respeitando as caracteritisticas que cada um possui. Dizer eu te amo, você é especial não pode ser visto como ultrapassado, brega ou cafona, mas sim, como uma atitude humana de valorização dos nossos semelhantes.

Neste momento gostaria de fazer referência a um ser humano maravilhoso que algum tempo não converso um amigo que fiz no tempo da faculdade que hoje sinto falta das conversas de alto nível que conseguimos estabelecer. Pessoa fantástica que me ensinou muito e que dividiu momentos inesquecíveis de trabalho, de risadas, de conflitos, sempre muito justo, honesto e coerente com todos.

Não esqueço e tenho saudades de tudo, aliás, minto, uma vez que, não sinto nenhuma falta das cobranças no final de cada mês, livrei-me daquela agenda em ministro? Como esquecer da corrida da corrida de jegue, do cuscuz com o queijo de um lado só (fala a verdade você armou aquilo) e as experiências dos projetos no Km3 e na Barragem de Pedra etc, quanto aprendizado em mestre? Tenho muito para agradecer a você e digo com maior orgulho que seria um prazer tê-lo um dia como professor dos meus filhos. Saiba que pode contar comigo sempre que precisar e eu puder ajudá-lo. Força na luta diária.

8.6.07

Somos deficientes?

Já tem algumas semanas que assistir o filme "Meu nome é rádio", maravilhoso, possibilita reflexões profundas na forma que conduzimos nossa vida, sobre os nossos valores. Ainda não esqueci, na verdade tocou em mim tanto que levei para ser discutido com algumas turmas que ministro aulas. Destaquei na conversa com os discentes, aliás, eles conseguiram perceber bem nas entrelinhas do filme o quanto precisamos rever a forma que enxergamos o nosso semelhante.

É sabido que a sociedade capitalista valoriza a eficiência, aqueles que podem produzir bem e mais são sempre aceitos, as crianças, os idosos e aqueles que possuem alguma necessidade especial são descartados. Diante deste principio eles tentam nos dividir em dois grupos: os humanos necessários e os desnecessários. Rádio enquadrava neste segundo por possuir uma "deficiência" mental e por isso sofria todos os preconceitos. No entanto, esqueces os "ideólogos" burgueses que a diferença é uma marca humana, todos nós somos deficientes e eficientes em alguma coisa, da mesma forma que ele tinha suas limitações, nós temos as nossas. Aceitar isso é algo que temos que fazer, pois será um passo importante na destruição deste sistema social que nos desumaniza e nos coloca um contra o outro.

Definir o que realmente queremos (é algo marcante também no filme) é fundamental para todas as ações, pois assim teremos clara a nossa prioridade, sendo todas as outras coisas secundizadas. Sonhar com um mundo diferente e sempre acreditar que é possível vivermos em um novo tempo é o combustível que permite continuar trabalhando contra a maré por mais que as ondas contrárias sejam fortes e sangrias.

Neste momento que estamos na frente de um computador milhões de pessoas pedem, choram aos pés de seus semelhantes por um prato de comida ou uma casa para morar e muitos não tem nem a compaixão de doar mesmo que seja o mínimo possível. Este sofrimento é visto em todos os continentes, mas, somos insensíveis à dor do nosso semelhante, não somos capazes de ajudar. O garoto no filme sofria de forma diferente, passou anos sem o carinho das pessoas, o sofrimento dele era o de ser discriminado por sua "deficiência", seu sonho não poderia realizar pelo egoísmo, preconceito dos seus semelhantes. Como podemos tratar nossos irmãos tão mal? Como uma nota de papel verde pode valer mais que a realização de um desejo humano? Quando tudo isso acaba, espero que não demore. Espero que superemos logo esta deficiência.

2.6.07

Rotina

Mais uma semana está prestes a iniciar e com ela uma rotina descontinua de descobertas uma metamorfose que vai eclodir em meio aos resquícios do velho sinal sacro ou do alerta de perigo. Em cada momento a esperança, o desejo da ação ser a reação dos devaneios mentais produzidos em meio aos delírios solitários e utópicos do sonhador, mas também, trabalha-se para o reagente tornar puro e autentico para a formação das reações humanas menos desumanas.

. Nas relações de consensos e conflitos constrói se o amor infinito, inabalável, inexplicável, mas extremamente difícil de existir pois, faz necessário despirmos das máscaras, alias, usar apenas a da verdade, ser sempre nós mesmos por que diferentemente estaremos escondendo quem somos, o que queremos, em que acreditamos e a verdadeira realidade, conseguindo somente distancia-la e atrair mais mascaras e mascarados.

. Diferentemente do Zoro que torna-se mais forte quando usa a sua nós ficamos mais fracos e distantes da nossa essência ao representar personagens nos diversos ambientes que convivemos. Eles surgem por medo, vergonha ou ambição, sendo sustentados nos valores e nas regras que desde crianças são a nós impostas. Ao estimularmos a rebeldia e o questionamento emerge as vozes doces e atraentes com cera e tarjas voltam impedindo a leitura e os anúncios de liberdade, atacando-nos impiedosamente.

. As vezes queria deixar o barco correr e seguir a corrente, fingir e ser somente um espectador e formar-los como coadjuvantes. Simplesmente fazer um contrato onde ninguém se machuca, sem brigas sendo todos "felizes", mas esta mascara não consigo usar, ela já caiu e, portanto daqui a pouco inicia os embates e eu espero que o sol esteja no meu jardim e que possa destruir está pseudo-felicidade que os papagaios vivem a repetir.