12.10.10

Barbaridade! Estou indo para Rio Grande do Sul

Que medo! Nunca havia viajado de avião e a sensação inicial é horrível, primeiro pela decolagem e depois pela impotência, eu que sou medroso, odeio altura, estou sobrevoando este nosso país em direção ao Sul. Tremendo, rezo, fecho e abro os olhos, tento ler, pensar em várias coisas mas, não consigo. Ao mesmo tempo fico impressionado com a imensidão, como Deus faz as coisas tão perfeitas.
Adormeço e ao abrir os olhos já estou em Porto Alegre/RS. BAH TCHE, já na rodoviária aguardo o ônibus para ir a Doutor Ricardo, cidade onde funciona o Programa Segundo Tempo. Enquanto isso, ouço atento as pessoas falarem, é um jeito próprio, uma mistura do português com o espanhol, lindo.
Já na estrada apreciou a paisagem dos gaúchos, a expectativa aumenta para conhecer o que até então apenas vislumbrava pelas mensagens e telefonemas trocados. Lagoas, pássaros, animais bovinos e eqüinos vão ficando para trás e as planícies vão dando lugar às montanhas, vales. A chuva cai deixando ainda “mais verde as plantas”.
As construções fazem-me lembrar que estou numa região colonizada por europeus e o jeito simples das pessoas e simpatia vão conquistando todos que por ali passam. Com o mapa nas mãos vou decifrando o Rio Grande do Sul e a cada cidade fica mais claro o quanto o nosso país é diverso culturalmente e desigual sócio-economicamente.
A noite vai caindo, o frio intenso não permite que as pessoas saiam de suas casas e o cheiro de comida exala, convidando para o jantar. Comidas típicas de italianos misturam com as nossas, a fartura na mesa chama atenção. Contudo, a unanimidade é o Chimarrão, feito de ervas da região é o símbolo maior dos gaúchos e em Doutor Ricardo é ele que nos dá as boas vindas. Seu gosto amargo, para este mineiro-baiano que nunca havia tomando, contrasta com o jeito das pessoas daquela comunidade, tão sorridente e receptiva.
Hora de dormir, agradecer a Deus por permitir chegar até ali, nunca poderia imaginar que um dia pudesse viajar de avião e está neste Estado. Aproveito e peço para que amanhã possa ser um dia bom de trabalho com os piás.