20.1.10

Chega de Calundu

Uma aventura que durou aproximadamente 48 hs dentro de um chevette 93 denominado por nós de Calundu. Essa uma história real contada por este sobrevivente. A viagem iniciou no domingo pela manhã, de carona com um dos viajantes formos até a cidade vizinha encontrar com o dono deste "carrão". A aparência era ótima e parecia que tudo saíria de forma contrária a todos os prognósticos mas, derepente o velhinho parou e nós na estrada "deserta" ficamos com fome e sede. Depois das tentativas de carona para retornar, o calundu voltou a funcionar e conseguimos chegar até a princesinha do vale (Almenara) cidade já conhecida e nenhum problema identificado pelos mecânicos.
Assim a viagem segue e as margens da pista o velho jequitinhonha, devastado, maltratado continua cortando o vale que possui o seu nome, um dos lugars mais pobres deste país. Devagar mas, em frente, calundu vai seguindo e a incerteza de até quando iria permanecer funcionando deixa-nos agoniados. Itaobim, Araçuai e ele segue. Uma, duas, três várias foram as vezes que já deu problema. Nesta última cidade encontramos um viajante que uma nova rota nos ensina, agora o caminho mais curto até a capital federal é pela cidade histórica, Diamantina.
Seguindo o roteiro traçado por este "amigo" vamos em frente mas, calundu pára justamente no meio de uma subida, uma das mais perigosas que tivemos contato até aquele momento. Depois de quase uma hora parado eis que chega o resgate, somos puxados até um vilarejo e lá mais uma vez ninguém detecta o problema.
A noite caía e o risco de viajar aumentava mas, tinhamos que continuar e fomos em frente numa reta que parecia não possuir fim chegamos a Buriti distrito de José Gonçalves de Minas. Contudo não encontrando lugar adequado para dormirmos e nem mecanismos de comunicação com as nossas famílias resolvemos andar mais 12 km com Calundu e descemos a serra até a sede deste distrito. A descida parecia que não terminaria e o medo do carro morrer era enorme. Felizmente conseguimos chegar e passamos a noite nesta cidade encravada entre as montanhas do vale Jequitinhonha.
Depois de uma consulta no mecânico que nada detectou pegamos a estrada rumo a Diamantina, depois de quebrar várias vezes Calundu morre e o pneu fura mais uma vez numa subida, esta era de 9km, no meio de uma curva e depois de mais de 30 minutos somos "guinchados", já havíamos empurrado, já tinhamos sido puxados e agora fomos de guincho até Diamantina.
Almoçamos nesta bela cidade que agrega UFVJM, logo após seguimos em direção a Br 040. Quebramos mais algumas vezes e conseguimos chegar neste dia até Luizlândia, já próximo de João Pinheiro. Os dois amigos ficaram lá e eu tive que seguir viagem de ônibus devido ao trabalho no dia seguinte. Ainda não sei se chegaram, se Calundu quebrou mas, sem dúvida nenhuma foi algo marcante, inesquecível. Uma história que ficará para sempre nas mentes destes três cidadãos.

6.1.10

A mídia e a dor humana

Fiquei quase três anos sem televisão em casa, somente agora que estou no DF que voltei a acompanhar os programas, principalmente os da globo. E, sabe o que estou sentido? Pois é, percebo que não perdir nada nestes últimos anos. Ainda bem que estou em casa somente durante a noite e nos finais de semana por que do contrário já tinha "pirado" com os absurdos transmitidos por nossas emissoras.
Em alguns momentos sinto nojo das novelas, dos destaques dos jornais, das bobagens e imbecilidades dos programas de entrevistas, debates. Por exemplo, estamos assistindo com enfâse nestes últimos dias a exploração da dor, do desespero, da morte enfim, das particularidades humanas dos acometidos pelas chuvas. Depois do desastre (?) causado por elas (?) no país mas, principalmente em Angra dos Reis, vemos os deuses da grande mídia focarem permanentemente a situação de desconsolo das pessoas que perderam entes queridos. Para quem assiste é algo terrível, ver o quanto aquelas pessoas estão sofrendo e a exploração daquilo pela imprensa simplesmente pelo ibope.
Ao invés de buscar passar as informações, do que está acontecendo, as causas e consequências, as ações dos governos, a mídia apenas faz sensacionalismo com a situação adversa daqueles sujeitos sociais. Mais uma vez, prevalece os interesses próprios, capitalistas, afinal poucos estão realmente preocupados com a situação destas pessoas, estarão presentes na imprensa enquanto derem retorno, no momento que não mais venderem serão esquecidos e um outro acontecimento "catastrófico" será a nova manchete.
A grande mídia invade o nosso ser e tenta manusear os nossos sentimentos, moldar a nossa forma de pensar e por consequência de comportar diante deste mundo injusto. Trata tudo como mera mercadoria, hávidos pelo lucro os grandes empresários vêm apenas consumidores nada mais na frente da telinha. Por isso, estou determinado a ligar a TV depois de ter lido um bom livro, pois, ali está uma das fontes da liberdade humana e de superação da alienação difundida diariamente pelos programas de TV.

4.1.10

Vamos abrir os olhos

O presidente Lula é admirado em todo o mundo pelo governo que vem realizando no Brasil, sua popularidade é algo extraordinário, da mesma forma a aprovação de sua gestão. Inclusive, ganhou em vida um filme que retrata a sua vida, aliás, mostra o lado santo dela. Mas, acredito que tudo isso acabou fechando os olhos do nosso querido Luiz Inácio, creio que ele precise caminhar um pouco pela capital federal, para perceber o quanto ainda o Brasil necessita mudar.
Há pouco estava vindo para o trabalho e fiz o trajeto: rodoviária do plano piloto- Dnit e mais uma vez fiquei triste com a situação de descaso com os nossos semelhantes. Sempre que passo pela rodoviária, de segunda a sexta fico horrorizado com a situação de algumas crianças, adolescentes, adultos e idosos. São pessoas que dormem no chão e quando conseguem no papelão, crianças de três, quatro anos pedindo esmolas, idosos nas escadas humilhando aos nossos pés pelo almoço.
O presidente preso aos números parece que anda pelas nuvens, sendo toda esta realidade invísivel aos seus olhos, aliás não é só ele que não ver mas, a maioria dos gestores públicos e a própria população que negligencia os setores mais carentes em recursos econômicos. Em tempos de vida líquida, ou somos consumidores de bens pouco duravéis ou somos lixo, percebidos apenas quando incomodamos. E, nem precisa dizer em qual grupo estas pessoas citadas estão. Assim, meu caro presidente Lula, está mais do que na hora de vossa excelência "abrir os olhos", aliás todos nós.