28.9.07

Vale a pena ser honesto?

Em todos os momentos somos bombardeados com informações de corrupção, somos conhecidos como o país do carnaval, futebol e do "jeitinho". Cuecas são encontradas cheias de dinheiro, o presidente do Senado rouba, os deputados desviam, os prefeitos enchem suas fazendas, os times de futebol lavam dinheiro, funcionários públicos usufruem da máquina pública como se fosse propriedade deles, além de não cumprirem suas obrigações, nós furamos as filas, é verdade que elas não deveriam existir, e tantos outros crimes que são cometidos diariamente que passam em branco e a maioria dos criminosos saem rindo e continuam com os seus benefícios, estes sugados do suor dos trabalhadores.

Como ensinar a uma criança a ser honesta, se quem está por cima da "carne seca" escolhe o caminho errado, justamente eles que deveriam dá o exemplo são os primeiros a cometer os crimes? Como ensinar a uma criança a não pegar o lápis do colega se milhões de reais que deveriam atender as necessidades dos oprimidos deste país são desviados pelos ricos e detentores do poder?

Para trabalhar esta questão com os estudantes usei o filme badalado pela mídia golpista "Tropa de elite", é um bom filme para ser utilizado para debates com adolescentes tem tudo que eles são induzidos a gostar. Um dos focos do filme é mostrar a corrupção existente dentro da policia, é verdade que poderiam aprofundar isso, mas, de qualquer forma mostra como ela ocorre e como está impregnada no sistema. Mostram que em todos os momentos somos convocados pelo sistema a nos corromper, o canto da serei é lindo e se não tivermos convicção na nossa ideologia em pouco tempo seremos mais um papagaio burguês.

Na verdade a desonestidade e todos os valores nefastos desta sociedade estão impregnados em todas as estruturas e manifestações criadas pelo homem, uma delas é o esporte. Este fenômeno que mexe tanto conosco possui em seu interior valores perigosos e por isso torna-se tão importante sua pedagogização pelos professores, em especial os de Educação Física. Na discussão com os estudantes eu o aproveitei e levantei a seguinte pergunta: "existe honestidade no esporte-um jogo qualquer"? A maioria para não dizer todos falaram que não, logo no debate concluir que eles e eu não éramos honestos, pois, não respeitávamos as normas existentes (sejam as universais ou as criadas pelo grupo) e só pensávamos em ganhar e sermos os melhores. Claro que a reação deles foi negar esta hipótese, mas, parece que entenderam que o esporte é apenas mais um mecanismo onde é reproduzido todos os valores desejados por quem detém o poder.

A ruptura com o projeto que defende o jeitinho brasileiro e a miséria econômica de milhões só pode ser realizada através do grito, das mãos e consciência dos trabalhadores, fato que para muitos é impossível de acontecer uma vez que, acreditam que afora o modelo de produção capitalista não há outra possibilidade, o socialismo para eles foi sepultado definitivamente com a queda do muro de Berlim, além na visão deles não haver mais luta de classes e nem diferenças entre esquerda e direita na política.

Hoje em uma mesa de debate na UESB a discussão de certa forma retomou este ponto. A proposta era desvelar a atual conjuntura e analisar a "nova esquerda" e claro os velhos e necessários temas foram postos. A América Latina vive um momento confuso, vários governantes vieram e dizem representar os interesses da classe proletária, no entanto, as suas ações não diferenciam totalmente dos sociais-democratas e nem dos liberais ou neoliberais. E muitos que eram oprimidos hoje são os opressores, caso do presidente Lula e o governador da Bahia. Hoje eles estão interessados mais em suas imagens do que naqueles que lutaram juntos com eles. Sendo assim, para finalizar momentaneamente esta discussão questiono se ainda vale a pena ser honesto? E também se vale à pena ser de esquerda, ou seja, militar por um mundo melhor"? Respondo dizendo que é difícil pois, tudo converge para o contrário no entanto, ainda acho que vale ou seja, acredito que seja melhor manter de pé lutando do que rastejando aos pés dos sujos por migalhas.

Vamos a luta porque prefiro continuar integro e quanto mais eles tentarem arrancar as esperanças de mudança do povo, continuarei e cada vez mais forte pois, só assim poderemos mudar realmente este modelo que explora e mata simplesmente pela ganância.

21.9.07

Isto é coisa de homem, aquilo de mulher.

Por mais que alarmem que vivemos numa democracia onde o respeito as diferenças sobrepõe a todo tipo de preconceito, eu continuo chamando isso de falácia, nós não conseguimos conviver com aqueles que possuem características opostas as nossas. Recentemente um Juiz, autoridade responsável por fazer cumprir as leis do país, confirmou isso numa sentença ao dizer que futebol é coisa para o homem, igualmente preconceituoso (talvez estivesse brincando) foi um estudante do 1º ano do ensino médio quando debatíamos este tema na sala, ele reproduziu, indo além, "mulher é para ficar em casa pilotando fogão e para fazer amor". Claro que no final da fala levou uma sonora vaia das colegas mas, ele apenas reproduziu os valores que estão impregnados na atual sociedade.

Estas manifestações possuem ligações com o passado onde as mulheres como os negros, eram tidos como "sub-humanos", serviam para cuidar dos filhos, da casa e da comida para o marido enquanto este saia para discutir política, praticar esporte etc. Em alguns países ainda existe situações piores do que a vivida no Brasil, aqui as mulheres já conseguiram alguns direitos, apesar de serem ainda tidas como inferiores pela nossa cultura machista.

Nas minhas aulas tento diminuir o separatismo existente, afinal o esporte como manifestação criada pelo ser humano deve ser apreciada por todos independente de condições, ou gênero, entretanto, a resistência é terrível principalmente pelos meninos que possuem uma vivencia "corporal" maior. É fato que homens e mulheres possuem características biológicas diferentes, no entanto, a principal é a cultural, o medo de romper as idéias estabelecidas, o medo do que o outro vai pensar são alguns elementos que impede as possibilidades de avanços de ambos (homens e mulheres).

Este tema já tinha discutido também com os meninos de quinta série, observei que ali já havia atitudes positivas de rompimento de certas posições estabelecidas, eles entenderam que mulher normalmente "é perna de pau" não porque gostam mas, porque não tem oportunidades quando criança de ficar o mesmo tempo num campo de terra batida, ou os meninos são mais "duros" porque quando nascem é dito para eles que dançar é coisa de mulher. Engraçado e enriquecedor, foi quando uma das meninas já no final da aula, perguntou e expressou corporalmente "prof. só porque ele (Richarlyson, jogador do São Paulo) fez isso é gay"? Algo extremamente gostoso de ouvir, pois, ela consegui ir no ponto fucral de toda a discussão.

Nós acostumamos a fazer divisões, isto é de homem aquilo só mulher pode fazer, menino não chora, mulher é sensivel, homem tem que gostar de futebol, mulher de novela e vamos reproduzindo isto a cada geração, um mal que acaba impedindo nossas crianças de vivenciar o máximo de criações humanas. Buscar fazer reflexões sobre isto, acredito que seja o papel da Educação Física e de todas as disciplinas na escola, no entanto, estes problemas ficam mais visíveis em nossas aulas pela maior liberdade que os discentes possuem. É fato que não conseguiremos somente com uma ou várias discussões deste tipo acabar com os rótulos culturais construídos ao longo de séculos, contudo, é fundamental toda a contribuição para diminuí-lo.

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Tudo que os seres humanos criaram deve está a disposição de todos independente de gênero e cada um vai realizar de acordo as suas limitações, respeitar isso é fundamental para a convivência em sociedade. E, atitudes como a do Juiz Manoel Maximiniano Junqueira Filho, repito, pessoa que deveria ser responsável por punir as descriminações realizadas, devem ser criminalizadas, o esporte é para todos, é direito de todos (homens, mulheres e homossexuais), como a educação, a segurança etc. Todo ser humano merece respeito e deve lutar por ele.

7.9.07

Resistir com propostas

Hoje terminei de ler o livro de Frigotto "Educação e a crise do capitalismo real" que um amigo me emprestou e neste momento sentir falta das discussões da UESB. Quando lá estava eram tantas que tinha dia que pedia para terminar logo, no entanto, agora estou desesperado para voltar, preciso dos debates, das opiniões divergentes. O meu espaço de trabalho infelizmente ainda não possibilita tais momentos, na verdade a escola explora muito pouco do professor, concordo, o sistema oferece menos ainda a nós. E o que fazer para mudar?

Há alguns dias li Meszáros, "Educação para além do capital", excelente suas reflexões, pois, mostra-nos que não basta boas idéias e intenções para transformar a educação visto que, está diretamente vinculada as normas e valores do sistema social vigente. Frigotto numa linha parecida aborda que este mesmo espaço vive sob contradições e conflitos, onde as classes sociais buscam impor a sua soberania. Na visão do autor a educação nacional sofre fortes influências das organizações de capital privado, estes mesmos que estão em meio a mais uma crise cíclica do capitalismo, mas também, existe o outro lado pressionando querendo uma formação humana com valores diferentes dos pregados pela atual sociedade. Ou seja, sozinha ela não muda, pois sua estrutura está subordinada a macro-estrutura do Estado mas, as ações contrárias aos ventos dominantes são essenciais para a mudança de regime.

Combater por exemplo, a teoria do capital humano é fundamental, pois, é uma das armas dos papagaios da burguesia para manutenção do status quo. Eles defendem fortemente que a diminuição ou exterminação das desigualdades sociais acontecerá quando todos tiverem educação de "qualidade", uma falácia que vem permitindo as organizações privadas ganharem espaço na sociedade e assim interferir na forma do governo elaborar as políticas públicas para este setor. No entanto, o máximo que conseguirão é colocar os indivíduos com mais "qualidade" para concorrer no mercado de trabalho e assim maquiarem a realidade visto que, os problemas sociais só serão extinguidos quando todos tiverem trabalho.

Frigotto é firme em acreditar que continua ele (trabalho) sendo o motor da atual sociedade e a construir os caminhos da existência humana, só mudando a forma que o sistema se organiza. Assim ele vai de contraponto aos papagaios da burguesia que anunciara com a queda do muro de Berlim e com a expansão do capitalismo pelo leste europeu, o fim da história, o fim da luta de classes e o capitalismo como insubstituível.

Na verdade este sistema venceu uma partida, existindo várias outras ainda para acontecerem isso pode ser confirmado por viver constantemente em crise, a mais recente vem abominando o Estado de Bem Estar, o mesmo que o salvou na década de 30. Agora como saída (conservadora) defendem o Estado cada vez mais mínimo para os pobres e um mercado mais forte-apostam na globalização, na proposta de flexibilização, qualidade total etc.

Neste sistema milhões de pessoas são exploradas e/ou vivem em situações piores que os animais irracionais. Contudo as grandes corporações continuam acreditando que para além do capitalismo não existe saída, um erro histórico. Vejo que só existe uma possibilidade real de mudança, o rompimento radical com este regime e a construção do socialismo através da consolidação da democracia. Todas as outras serão apenas "tapa buraco" que logo ficará maior.

A escola como os movimentos sociais, os partidos de esquerda e você possui nesta perspectiva um papel fundamental que não reduz apenas de resistência mas, de formular ações contra-hegemonicas minando assim, o atual sistema. Não tenho dúvida que isto já acontece no país, basta ver a constituição de 1988 que possui uma série de conquistas dos trabalhadores, é verdade que algumas ou a maioria estão ainda no papel e por isso as manifestações e as propostas devem emergir rapidamente. Vamos à luta por que só nós temos o poder de mudar tudo que desejarmos.

6.9.07

11 de Setembro

O que te lembra a data onze de setembro? Talvez seja o atentado nos EUA(2001), algo ainda obscuro que apenas confirmou a necessidade de surgimento de um outro modelo social, onde todos sejam respeitados pelas diferenças culturais e individuais existentes mas, iguais nas condições socioeconômicas. No entanto, para mim esta data todos os anos é motivo de muita felicidade, na verdade sua existência já é um presente diariamente na minha vida, emocionada você mim viu pela primeira vez, eu respondi chorando, bastante, nem sabia quem era, mas aos poucos ficou claro que as minhas lágrimas eram de alegria por está nos seus braços. Saudades deles.

Só desejo que este dia especial seja repetido por vários anos, juntamente com todas as maravilhas que produz diariamente, não é fácil ficar longe, sinto falta de você, cada coisa que conquisto quero dividir contigo. Hoje agradeço por tudo, fico feliz por te-la é muito bom saber que faço parte das suas orações. Como canta Milton Nascimento a senhora possui "um dom, uma certa magia" que envolve a todos com muito amor e carinho.

É satisfatório, é prazeroso, é um orgulho dizer que a senhora é a minha mãe. Parabéns e muitíssimo obrigado. Obrigado pelas noites acordadas, pelos dias de choro, pelas risadas dividas, pelas broncas, pela gana que possui, pelos carinhos e conselhos. Enfim, obrigado por ser paciente com que nunca soube retribuir na mesma intensidade todo amor que ganhou.