Em todos os momentos somos bombardeados com informações de corrupção, somos conhecidos como o país do carnaval, futebol e do "jeitinho". Cuecas são encontradas cheias de dinheiro, o presidente do Senado rouba, os deputados desviam, os prefeitos enchem suas fazendas, os times de futebol lavam dinheiro, funcionários públicos usufruem da máquina pública como se fosse propriedade deles, além de não cumprirem suas obrigações, nós furamos as filas, é verdade que elas não deveriam existir, e tantos outros crimes que são cometidos diariamente que passam em branco e a maioria dos criminosos saem rindo e continuam com os seus benefícios, estes sugados do suor dos trabalhadores.
Como ensinar a uma criança a ser honesta, se quem está por cima da "carne seca" escolhe o caminho errado, justamente eles que deveriam dá o exemplo são os primeiros a cometer os crimes? Como ensinar a uma criança a não pegar o lápis do colega se milhões de reais que deveriam atender as necessidades dos oprimidos deste país são desviados pelos ricos e detentores do poder?
Para trabalhar esta questão com os estudantes usei o filme badalado pela mídia golpista "Tropa de elite", é um bom filme para ser utilizado para debates com adolescentes tem tudo que eles são induzidos a gostar. Um dos focos do filme é mostrar a corrupção existente dentro da policia, é verdade que poderiam aprofundar isso, mas, de qualquer forma mostra como ela ocorre e como está impregnada no sistema. Mostram que em todos os momentos somos convocados pelo sistema a nos corromper, o canto da serei é lindo e se não tivermos convicção na nossa ideologia em pouco tempo seremos mais um papagaio burguês.
Na verdade a desonestidade e todos os valores nefastos desta sociedade estão impregnados em todas as estruturas e manifestações criadas pelo homem, uma delas é o esporte. Este fenômeno que mexe tanto conosco possui em seu interior valores perigosos e por isso torna-se tão importante sua pedagogização pelos professores, em especial os de Educação Física. Na discussão com os estudantes eu o aproveitei e levantei a seguinte pergunta: "existe honestidade no esporte-um jogo qualquer"? A maioria para não dizer todos falaram que não, logo no debate concluir que eles e eu não éramos honestos, pois, não respeitávamos as normas existentes (sejam as universais ou as criadas pelo grupo) e só pensávamos em ganhar e sermos os melhores. Claro que a reação deles foi negar esta hipótese, mas, parece que entenderam que o esporte é apenas mais um mecanismo onde é reproduzido todos os valores desejados por quem detém o poder.
A ruptura com o projeto que defende o jeitinho brasileiro e a miséria econômica de milhões só pode ser realizada através do grito, das mãos e consciência dos trabalhadores, fato que para muitos é impossível de acontecer uma vez que, acreditam que afora o modelo de produção capitalista não há outra possibilidade, o socialismo para eles foi sepultado definitivamente com a queda do muro de Berlim, além na visão deles não haver mais luta de classes e nem diferenças entre esquerda e direita na política.
Hoje em uma mesa de debate na UESB a discussão de certa forma retomou este ponto. A proposta era desvelar a atual conjuntura e analisar a "nova esquerda" e claro os velhos e necessários temas foram postos. A América Latina vive um momento confuso, vários governantes vieram e dizem representar os interesses da classe proletária, no entanto, as suas ações não diferenciam totalmente dos sociais-democratas e nem dos liberais ou neoliberais. E muitos que eram oprimidos hoje são os opressores, caso do presidente Lula e o governador da Bahia. Hoje eles estão interessados mais em suas imagens do que naqueles que lutaram juntos com eles. Sendo assim, para finalizar momentaneamente esta discussão questiono se ainda vale a pena ser honesto? E também se vale à pena ser de esquerda, ou seja, militar por um mundo melhor"? Respondo dizendo que é difícil pois, tudo converge para o contrário no entanto, ainda acho que vale ou seja, acredito que seja melhor manter de pé lutando do que rastejando aos pés dos sujos por migalhas.
Vamos a luta porque prefiro continuar integro e quanto mais eles tentarem arrancar as esperanças de mudança do povo, continuarei e cada vez mais forte pois, só assim poderemos mudar realmente este modelo que explora e mata simplesmente pela ganância.