26.7.07

Qual o legado do Pan?

Os jogos Pan-americanos terminam no próximo domingo (29/07) e a pergunta a ser feita por nós é: qual o legado que ele deixa para o país? O Brasil investiu praticamente quatro bilhões para realizar este evento, ou seja, se compararmos chega a quase a metade da arrecadação anual da cidade do Rio de Janeiro. Você poderia dizer que o resultado foi positivo, pois, agora possuímos uma estrutura excepcional para a prática de esportes de alto nível, nossos atletas ganharam várias medalhas, batendo recordes e, portanto deveríamos sentir mais felizes, certo? Você está feliz? Sua vida mudou? A vida dos brasileiros melhorou? E o que ganhamos com o Pan? Com certeza, muito pouco ou nada.

Os jogos chegam ao fim e fica a falsa sensação de que o país é uma potência olímpica, uma mentira que de tanto ser repetida está tornando verdade, pois, uma reflexão lúcida mostra que os resultados não são o que aparentam, uma vez que, os principais atletas dos EUA,Canadá e Cuba não vieram para o circo montado no Rio. Na verdade, o Pan é um evento de terceira ou quarta categoria que segundo Juca Kfouri, um dos jornalistas mais respeitados e sensatos deste país, "em termos esportivos, há muito tempo o Pan não representa nada de importante. Basta dizer que desde 1987, há 20 anos, não se quebra um recorde mundial nos jogos Pan-Americanos”.

Quanto ao investimento não precisa ser um economista para saber que aí tem algo errado, não é possível que o evento inicialmente previsto para 720 milhões pule para quase 4 bilhões. Portanto, um outro legado do Pan será uma bela CPI no congresso corupto e golpista, uma vez que, não é possível que este escoador do dinheiro público não seja investigado. E vocês sabem quem mais ganhou com o Pan? Adivinhou quem disse que foram os dirigentes esportivos e seus aliados comparsas que prestaram serviços. Ficou comprovado que poucos foram os serviços para os jogos que tiveram licitação pública, ou seja, o dinheiro nosso foi para apadriados do Comitê olímpico brasileiro( COB), inclusive o presidente dele é também o da empresa responsável pelos jogos a CO-RIO, estranho.

E as obras do Pan o que vão acontecer com o estádio "engenhão", com as arenas, campos etc... Quem vai usufruir deles? Uma resposta certa é que não será a população que mora nas favelas do Rio, ou eu, os beneficiados serão como sempre os empresários que irão administrar estes espaços e uma minoria de esportistas, os nossos pseudo-heróis. Todo investimento em segurança, ou nas novas linhas de metrô, ou ainda, o saneamento da baia de Guanabara que realmente poderia contribuir para melhorar a vida da população ficaram mais uma vez como promessas.

O que vai ficar como lembrança do Pan na cidade do Rio de Janeiro para você? Hum, você poderia dizer que será as vaias que recebeu o presidente da republica - Lula, mas, lhe digo que isso também é uma inverdade, elas sempre existem, além disso, o público no dia era representado por uma "classe média elitista" que possuía na linha de frente o governo municipal, Partido Democrata, inclusive já está comprovado que elas (as vaias) foram arquitetadas por eles. Ou seja, foi uma pena que foram realizadas pelos setores que justamente suga o suor dos trabalhadores deste país, pois quem deveria realiza-las é o povo humilde desta nação, uma vez que, é visível que o Lula deve retornar urgentemente seus olhos para quem realmente precisa dele, não pode perder esta chance.

É fato concreto que o esporte mexe com todos no mundo, é o principal fenômeno da atual sociedade e ao longo dos anos re-afirma os interesses dos dirigentes. Em alguns momentos nos vemos juntos com nossos patrões comemorando uma vitória de onze jogadores escalados por eles para nos proporcionar felicidades passageiras, recheadas de simbologia. Enquanto eles (burgueses) enriquecem com o dinheiro dos trabalhadores, estes por sua vez pula de alegria com as vitórias dos super heróis construídos pela mídia. Só lembrando que muitos destes pseudo-heróis vieram das famílias mais humildes deste país e, portanto, lutaram e venceram na vida. Essa é uma das mensagens nefastas mostradas, pois, não basta lutar neste sistema para conseguir, pouquíssimos vão, mesmo todas tendo este direito.

Finalizo esta breve análise, dizendo que devemos manter os nossos bem abertos e perguntar o que realmente é prioridade neste país. Onde deve ser investido o dinheiro nosso, o valor gasto com o Pan poderia mudar a vida de centenas de milhares de pessoas neste país extremamente desigual, além disso, não pode ter como política publica o esporte de rendimento em detrimento daquele praticado por todos nós com objetivos de divertimento e desenvolvimento humano. O setor público deve cuidar para que todos possam ter acesso a esta manifestação cultural e não desviar recursos para eventos que tem como único retorno imagens manipuladas pela imprensa com frases de efeito. O esporte é um direito de todos e deve ser financiado pelo poder publico e nós temos que ter o direito de vivenciá-lo com as melhores condições possíveis, bem como, re-elaborar quando necessário.

21.7.07

Cuidado com eles.

Desde que aprendi nos bancos da universidade que não existe neutralidade nas ações realizadas pelos seres humanos, duvido de tudo e de todos, principalmente da grande imprensa. E, nestes últimos dias ela manifestou duas das faces mais nefastas, ou seja, explorar a dor das pessoas e a partidarização das noticias.Só não percebeu isso os encobertos pela política de analfabetização do país ou aqueles beneficiados por ela, pois foi vergonhosa a exploração do acidente da TAM na cidade de São Paulo e também a cobertura das emissoras de TV da Bahia sobre a morte do Senador ACM.

. Centenas de pessoas morrem de forma drástica, algo extremamente doloroso para os familiares e as emissoras de TV e os “jornalões” em busca de mais dinheiro exploram a emoção, a tristeza dos amigos e familiares em seus programas e cadernos. Cenas desnecessárias e apelativas estão sendo emitidas desde as primeiras noticias do acidente. Qual a necessidade de mostrar a situação dos corpos? Ou ainda, entrevistar parentes em estado de choque com perguntas idiotas e dolorosas?

Além deste sangramento, os papagaios da burguesia são extremamente partidarizados e servem unicamente a elite deste país, vê-se na beatificação que tentam fazer do Senador ACM, montando uma história linda de vida, de ensinamentos como se esta pessoa não tivesse decretado a morte de centenas de milhares de indivíduos neste país e em especial no Estado da Bahia. Foi um dos políticos mais falsos e burgueses já existentes, cometeu uma série de crimes, no entanto, a mídia não mostra.

Um outro exemplo, para confirmar esta elitização da imprensa é a forma que tratam o acidente da TAM. Mesmo sem qualquer apuração/investigação os grandes órgãos da mídia já diziam quem era o culpado, é ele mesmo, o presidente Lula. É obvio que ele possui sua parcela e grande por ser o representante máximo deste país, no entanto, daí dizer que ele é o único responsável, o criminoso,é brincar com a inteligência do povo, principalmente agora que estão descobrindo que pode ter ocorrido falhas mecânicas e/ou humanas, fato injustificável, o acidente continua sendo horrível e o presidente continuará sendo o culpado porque a imprensa não pede desculpas.

As grandes corporações das noticias estão centralizadas na mão de pouquíssimas pessoas, principalmente aqueles que já possuem muito dinheiro, deixando a maioria da população sem o direito de ter a manifestação de sua opinião ou de ver e ouvir outras divergentes. É o caso aqui na Bahia que o então ACM era proprietário de TV, rádio e jornal de grande circulação estadual e portanto, mostra apenas os anseios do grupo que era liderado por ele.

A leitura que fazemos todos os dias de noticiários sejam em qual mídia for deve ser realizada com a maior cautela, sem tirar conclusões precipitadas. Além disso, é necessário saber a quem cada “jornalão", TV ou emissora de Rádio pertence porque a informação terá esta cara. Por exemplo, nos aeroportos a intenção é conturbar o mandato do Lula, colocar uma faca no seu pescoço, privatizar os aeroportos e tudo que puder e finalmente manter-se no poder. Parafraseando o grande Leonel Brizola a grande imprensa é o grande partido político deste país com destaque a globo defensora da ditadura, do FHC e do capitalismo.

12.7.07

Aprecie com moderação.

Já faz algum tempo que não escrevo, inclusive peço desculpas aos amigos (as) que dividem comigo a leitura do blog. No entanto, este período foi necessário para elaboração de reflexões e conclusões. A principal foi que a internet pode ser um excelente meio de comunicação e necessita que seja urgentemente democratizada, mas, deve ser usada com cautela para não causar dependência. É isso mesmo, vicia como uma droga e pode causar sérios problemas, sejam sociais, biológicos e psicológicos.

É visível que estamos cada vez mais isolados em nossos cofres, com medo do próprio mal que criamos e, portanto, diminuímos nossas atividades físicas, comemos mais e/ou mal, estamos mais distantes dos outros humanos e cada vez mais na frente da tela, seja da tv ou computador. A interatividade da internet é fascinante, através dela podemos estudar, informar sobre os acontecimentos do planeta, conversar com outras pessoas, namorar(virtual), enfim quase tudo, mas pode trazer graves transtornos.

Em alguns momentos fiquei preocupado, pois, esta para mim deixou de ser um espaço de aprendizagem para simplesmente ser de bate papo, claro que se aprende também neles, mas, é totalmente diferente do que colhemos ao debruçar sobre um livro e dialogar com os pensamentos do autor. Além disso, existe uma vida, uma sociedade fora do msn, orkut etc, para ser transformada e reconstruída .

Os meios de comunicação, principalmente a internet pode exercer um poder fenomenal para a transformação da atual sociedade só que para isso os programas governamentais, as escolas devem adotar políticas de formação dos cidadãos para o acesso consciente, pois do contrário será mais um meio de conformismo com a situação degradante que somos expostos diariamente.Portanto, a conclusão que tiro é simples e é o que deve ser feita com quase tudo que experimentamos na nossa vida, ou seja, apreciar com moderação.