7.9.08

Passe para frente

“Mas é difícil pra quem se acostumou com as coisas como elas são. Mesmo que sejam ruins, é difícil mudar. Então as pessoas desistem. Quando isto acontece, todo mundo sai perdendo”( Trevor, personagem do filme “ A corrente do bem”)

Qual é, mesmo, o sentido da vida? Esta é uma pergunta que sempre faço, pois estou sempre em conflito quanto ao que busco, percebo que a sociedade cria necessidades e faz-nos crer que precisamos delas para sermos então reconhecidos e valorizados, contudo, para que ser isso? Não sei se você leitor está entendendo, todavia estou incomodado com a forma que estamos construindo esta sociedade, um egoísmo idiota, um consumismo banal, um desrespeito para com os outros, um “asentimentalismo” patético. Estamos aplaudindo as benevolências que alguns fazem, achamos o máximo quando alguém posui atitudes honestas ou manifesta sentimento de amor ou carinho explicitamente. Se fosse feito pelos animais irracionais realmente seria, mas, dos seres humanos não poderíamos esperar algo diferente.

O dicionário diz que humano é ser: “bondoso, compassivo, caridoso”, entretanto somos mais o oposto disso. Preferimos levantar a cabeça quando alguém está deitado nas ruas, dá comida aos cachorros do que as pessoas que batem em nossa porta, gastar o dinheiro em supérfluos do que ajudar as instituições e as pessoas que nem lápis possuem para estudar. E ainda assim, ficamos indignados com o aumento da violência, com as mortes nas guerras pelo mundo, não percebemos que estamos matando vários todos os momentos quando negamos a nossa própria condição de ser pensante com as atitudes relatadas.

Fiz este preâmbulo para recomendar o filme “A corrente do bem”, tendo uma criança como personagem de uma linda e emocionante história. A meta era fazer o bem a três pessoas que iriam fazer cada uma para mais três e assim iria passando para frente. Tudo isso começa no local apropriado, escola, espaço que pode mesmo contribuir para mudar o mundo, claro ela sozinha não conseguirá. O trabalho era de Estudos Sociais, sétima série, e os estudantes deveriam ter uma idéia para mudar o mundo e coloca-la em prática. O desenrolar do filme só vocês assistindo.

Sem os apelos tradicionais dos filmes norte-americanos “A corrente do bem” proporciona boas reflexões sobre a nossa realidade, inclusive com um final para filmes inesperado mas, para os que buscam transformar o cotidiano bastante verídico. Fazer o bem é difícil, especialmente neste momento histórico que estamos cada vez mais isolados em nossos “mundinhos”, desconfiado de tudo e todos, qualquer contato já é visto com preocupação. Entretanto, é necessário e alguém tem que fazer, não podemos ficar esperando a volta do ser superior ou mesmo milagre divino. Além disso, ajudar pode ser de várias formas, as vezes pessoas precisam apenas de um carinho, aperto de mão, abraço, beijo, atenção, claro, muitos, milhões, necessitam de ajuda material, afinal vivemos em um sistema altamente injusto.

Não é fácil fazer o bem, não é fácil perceber o outro como irmão e, é mais difícil ainda agir de forma verdadeiramente humana, assim todos nós saímos perdendo. Desta forma, é importante que passemos principalmente para as crianças outras possibilidades de conviver com os outros seres humanos, uma forma totalmente diferente da existente. Continue esta corrente, passe para frente.