25.5.07

Você é livre?

Nesses últimos dias intensificaram na mídia golpista e alienante os argumentos toscos em defesa da manutenção da suposta liberdade existente neste país de miséria continental. Fiquei questionando quando vi uma destas reportagens como podem dizer que sou livre se nem tenho a chance de escolher onde trabalhar, onde morar ou simplesmente o espaço para manifestar minha opinião como eles possuem. A liberdade que estes papagaios proclamam é uma falácia, mentira que apenas maqueia a opressão que vivi a maioria da população.

Ela (liberdade) está diretamente relacionada a melhores condições de vida das pessoas e a participação destas na tomada das decisões, sendo assim são mentirosas as criticas venenosas destiladas aos países socialistas. A Venezuela, por exemplo, já conseguiu aniquilar o analfabetismo e Cuba possui um dos melhores indicadores de saúde e educação do mundo. Eles, os papagaios do capitalismo, portanto, deveriam olhar para o próprio umbigo, analisar e envergonhar com a realidade dos países capitalistas que defendem.

A liberdade existente aqui no Brasil e nos países capitalistas é de acordos, ou seja, de papel, é a famosa frase "minha liberdade termina quando a sua começa" isso nos remete a seguinte questão: quem determina estes limites? Respondo, dizendo que serão os interesses particulares, os seus desejos vão dizer até onde sou livre e é obvio que quanto mais "conhecimento" e condições materiais detem, menos serei.

Neste regime social que vivemos somos até livre para escolher e determinar algumas de nossas ações, mas, elas com o tempo tornam-se limitadas, pois as regras a serem seguidas não foram elaboradas por nós. No socialismo ao contrário, o individuo é livre uma vez que, ele fez parte diretamente da construção das regras que a sociedade deve seguir.

Portanto, só seremos realmente livres quando a sociedade conseguir de forma coletiva definir os seus interesses. E como fazer isso? Difícil, mas, é “remar contra a maré, ir contra o vento”, com uma rosa numa mão, a ideologia no coração e na outra mão a arma da vitória. Acreditar nisso é fundamental e perceber que “temos todo o tempo do mundo” também.

24.5.07

Retratos

Sempre quando entro no meu quarto a primeira "coisa" que olho é o mural com retratos de pessoas queridas. Já faz algum tempo que são as mesmas mas, sempre me dizem algo novo. Ontem ao chegar de viagem detir mais uma vez a observá-las e consequentemente a "viajar".

Quando chego, encontro parada a esperar

Sempre no mesmo lugar

Com seu sorriso largo a encantar

Parece-me doce como o rio a desaguar

E, portanto, fico estático por minutos a deleitar

A beleza que transcede seu olhar.

.

Na paisagem linda que está

Não consigo ver nada tão bonito

Do que aquela vida que pulsa em suas mãos

Tão pequena e delicada

Que busca apenas voltar a nadar

.

A seu lado a saudade,

Sentimento de felicidade

Que sinto todas as noites

Cravado nos meus sonhos

Quando as estrelas põem-se a brilhar

.

E a cada lua desvio o meu olhar

volto a lhe desejar nestas noites quentes

seu calor junto ao meu

e mesmo na ausência sinto sua presença

Como faz agora que volto a lhe acariciar.

.

Vou dormir e deixar vocês me olhando, mas, que a força do Deus (seja quem for) que tanto acreditam ilumine seus caminhos e permita que os quilômetros físicos e espituais existentes diminuam, para então juntos o presente desenhar.

18.5.07

Enquanto houver sol.

Já virou um hábito passar pela feira quando volto da escola mesmo que seja apenas para conversar com as pessoas. Sinto bem, pois elas falam das coisas que eu gosto, possuem valores que admiro. Conversamos sobre a produção, o clima, as tradições, sobre os filhos deles, enfim do cotidiano de simplicidade que vivem e eu amo isso.

A vida deles é difícil, não possui as vantagens que tenho de descansar nos finais de semana ou feriados, salário fixo no final do mês etc. Eles tiram da venda das frutas e verduras plantadas na terra que possuem o sustento da família. Muitos nasceram naquele “chão” e tudo que sabem aprendeu na lida diária, seus ídolos são seus pais, tios, trabalhadores e não jogadores de futebol ou cantores burguesinhos. Depois de passar alguns minutos proseando com um e depois outro caminho para casa, mas, levo também a imagem de humanos catando os restos jogados no lixo da feira, ou seja, pessoas comem aquilo que não queremos, matam a fome com os alimentos estragados.

Aí fico pensando como a maioria dos indivíduos podem ser tão insensíveis e conseguem viver no mundo de faz de contas montado pelas novelas, pelos filmes, pelas revistas? Existem pessoas que passam o dia todo discutindo o que aconteceu em tal programa de televisão, mas, não estão nem aí para a realidade que bate em sua porta. Ontem fiquei mais indignado ainda, quando vi nas páginas da internet e nos programas de televisão pessoas que possuía “altos” cargos públicos desviando milhões de reais ao menos foram pegos. Dinheiro que iria contribuir para que milhões de pessoas colocassem sua primeira lâmpada em casa estava sendo roubado por humanos que possui tudo(material).

O pior de tudo isso é o sentimento de inutilidade. Ver, sentir indignado e perceber que pode fazer muito pouco, é doloroso, é sentir frio no calor. É complicado ter a paciência histórica. É muito triste, é tudo sem sentido. Contudo ainda navego contra a maré, ainda contra o vento e concerteza como canta Chico Buarque: "apesar de você amanhã há de ser outro dia. Eu pergunto a você onde vai se esconder da enorme euforia?" A luz existe, mesmo distante ela manifesta em todo mundo e espero que cada vez mais forte e mais rápida.

Apesar de você(Chico Buarque)

Começa o espetáculo.

No vestiário todos ouvem a pergunta da banda Skank "quem não sonhou em ser um jogador de futebol"? O capitão lembra que a maioria das pessoas sonharam quando crianças ou adolescentes em ser um esportista profissional, mas que poucos conseguem, eles naquele momento eram felizardos e por isso deveriam fazer o melhor, pensando no bem de suas contas bancárias, nas do chefe e na nação. . . .

Enquanto sobem para o campo, o comentarista fala que o esporte constitui num dos principais fenômenos sociais que movimenta milhões durante todos os anos e exerce um forte poder político no mundo. Desde cedo como à religião ou a língua, ele faz parte de nossas vidas como coloca Helal (1990). Mas vamos ao jogo porque dizem que isso não interessa a ninguém, afinal não importa saber que ele foi no período industrial utilizado pela burguesia como elemento disciplinador, higienista, ou ainda, como propaganda dos Estados, inflamando valores raciais e nacionalistas e hoje tornou um bem a ser consumido e cada vez menos praticado. Para que saber que a previsão de gastos do Pan do Rio chegava a: 350 milhões e o valor gasto agora são: 3,5 bilhões e apenas uma minoria que não é aquela que mora nos bairros periféricos será beneficiada e, portanto com este dinheiro seria muito melhor realizar projetos nas comunidades. Chega, quero é jogar.

Bola no meio e o jogo para começar, jogadores ansiosos, torcedores esperançosos e os empresários rindo com os bolsos recheados. Na favela olhos não piscam na frente da tela. As regras devem ser respeitadas, já foram elaboradas, ninguém interfere. O juiz já foi escolhido. Ele apitou e a partida iniciou, a mãe gritou e a criança nasceu, chorando para o jogo da vida. O Técnico disse que "tudo pode acontecer, é apenas o inicio", mas, como, se ja disseram como deve ser? No jogo dizem que é o arbitro que coordena na vida, neste sistema, é o governo que condena. No meio da arquibancada alguém gritou dentro da favela o morador questionou: "porque sempre somos saco de pancada"? E completaram "esta regra está errada". Mas, como está errada, se o regulamento diz que todos são iguais? Esses caras estão loucos, querem tudo na moleza por isso que sempre perdem, afirma o presidente matrix.

O jogo continua a vida segue cada um cumprindo a função anteriormente determinada pelo comando supremo. Sem questionar, sem se arriscar, tudo como tem que ser. O comentarista coloca que as chances são as mesmas, já que o sol nasce para todos e ganhará aquele que tiver melhor preparo e mais força de vontade. Derepende o narrador grita pênalti a favor da seleção do patrão. Bola no lugar, juiz com dinheiro na carteira, corrente humana na arquibancada, prontos para gritar gol do chefão. E começam a cantar todos juntos vamos pra frente chefão, salve o capital. E, explode o grito de goooooool, é o primeiro do capital que ensaia umavitória histórica.

Um, dois, três, a zero marca o placar a favor do capital no final do primeiro tempo. Um, dois, três são o número de tiros que levou a criança, o policial e a dona de casa. Um, dois, três são os felizardos com o atual sistema excludente que inculca seus valores em todos os espaços da vida inclusive num jogo. Intervalo, marca o juiz, momento de refletir, de rever as estratégias de luta e virar o jogo. Será possível? Você acredita na mudança? Vamos extinguir estes valores de individualismo, de competitividade, de insensibilidade etc, presentes neste sistema social vigente?

Colocaram você para o segundo tempo, vamos virar esse jogo? Chega de sermos manipulados, receber ordens e seguir leis que não criamos. Vamos fazer um novo jogo, onde todos possam ser realmente iguais, sem explorados, afinal somos todos humanos.

Este texto com suas metáforas possui suas origens no prazer que possuo desde crianças em está praticando esportes com meus amigos, isso simplesmente pelo prazer, no entanto, sinto que essas vivências estão tornando cada vez mais difícil. Além disso, emerge também de debates em uma comunidade do Orkut-repúdio a ignorância política e uma reportagem de uma pessoa especial.

10.5.07

Desabafo!

Em alguns momentos gostaria de ser um "analfabeto" para poder não "sentir tão mal" como estive nestes últimos dias. Primeiro fiquei com vergonha do piso salarial que o governo que ajudei eleger oferece para nós(professores). Eu sei que possui milhões de pessoas neste país (extremamente desigual) que não tem nem uma moeda, sei e o presidente também, o que é chegar em casa e não ter um pão para comer. Aí pergunto como mudar isso? Todos (com exceção dos verdadeiros marxistas) dirão investir na educação. Vemos diariamente os meios de comunicação veicularem propagandas do tipo "educação é tudo", no entanto, o governo dito de esquerda e dos trabalhadores oferece para nós "míseros" R$850,00 para 40h de trabalho. Não sou nenhum demagogo e por isso digo que é ridícula esta proposta.

Para piorar, nesta semana estava assistindo, a emissora golpista conservadora e católica, o Papa Bento dizendo que a América é o continente da esperança. Eu fiquei com mais raiva ainda, pois, desde criança ouço isto, bem como, que o Brasil é o país do futuro. Chega dessas falácias. O papa mente e todos também. Da forma que este continente e esse mundo caminha não temos futuro, aliás, porque esperar, temos que ser é o presente. Vocês sabem o que o Papa, a Globo e todos os burgueses querem? Eles desejam que o continente volte para as abas da igreja católica e que esta última volte a ser aquela velha com seus dogmas e “crentíssimo” inquestionável. A todo momento o vaticano combate a teologia da libertação e tantas outras lutas vinculadas as mudanças socais radicais.

A visita do papa custou cerca de 50 milhões de reais, imagine a revolução que poderia ser feita em cidades pequenas com todo este dinheiro. Além disso, foi 20 mil policiais para guardá-lo e porque nós não temos estas pessoas de fardas nos protegendo? É incrível a atenção que a emissora dos marinhos está dando para o Bento. Como pode esses falsos lideres( igreja, mídia, governantes, empresários) serem tão insensíveis e envolverem/levarem as pessoas que não tem nem o básico em casa a idolatrar um suposto representante do senhor. Se a igreja gosta tanto dos pobres e os seus membros acreditam em Deus porque ela não divide o que tem com eles? Não entendo isso.

Para culminar, vejo hoje nos jornais a noticia de que os excelentíssimos deputados aumentaram os próprios salários em 28,5% e contraditoriamente a isso o governo da Bahia oferece para nós (professores) 3,3% de aumento. É para rir ou para chorar? Tenho que admitir que muitos destes políticos são espertos, pois, esperaram um momento que os olhos do povo estivesse deslocados deles para realizar esta agressão aos cofres públicos. Quando as pessoas estavam vendo o tal papa, eis que os nossos representantes aproveitaram para engordarem as suas contas. E para nós que trabalhamos diariamente, pagando nossos impostos o governo do PT oferece migalhas.

Só quem é professor sabe o quanto é difícil e cansativo está ministrando aulas ou vocês( leitores) acham também fácil trabalhar seriamente em salas com quase sessenta estudantes, com material didático escasso etc? Eu sabia parcialmente quando iniciei minha graduação de tudo isso mas, nunca havia sentido na pele o que por exemplo, minha mãezinha ou minhas tias passavam diariamente nas escolas. Não arrependo, gosto de está discutindo, transmitindo e aprendendo com os diversos estudantes que convivo no entanto, não posso negar que estou pedindo a todos os santos, anjos, Deuses ou Deus, Jeová, Buda, Maomé para que as coisas melhorem porque é desestimulante, mesmo sabendo que o Estado burguês é assim.

Ressalto novamente, que sei muito bem que milhões de pessoas não possui nem um por cento do que o Estado me paga e luto diariamente para que eles mudem radicalmente de vida, fico indignado com isso mas, não sou hipócrita de negar que o valor que recebo pelo meu trabalho é ridículo.

“Até quando você vai ficar usando rédia Rindo da própria tragédia? Até quando você vai ficar usando rédia Pobre, rico ou classe média? Até quando você vai levar cascudo mudo? Muda, muda essa postura Até quando você vai ficando mudo? Muda que o medo é um modo de fazer censura”. (Gabriel Pensador)

3.5.07

O sorriso de uma criança

Ontem(02/05) no final da aula para a 3ª série do ensino fundamental uma menina disse "prof. este foi o dia mais feliz da minha vida, nunca vou esquecer". Foi a primeira aula ministrada para aquela "turminha", eu, obvio fiquei buscando os motivos para aquilo que ouvia e questionando como isto poderia ser verdade, já que foram apenas algumas atividades.

Mas, este fato nos proporciona reflexões profundas sobre o que realmente estamos valorizando e o que nós estamos construindo. Durante toda a aula sentir a alegria daquelas crianças, algo imensurável e ao mesmo tempo triste, pois sei que nem todas possuem a chance de simplesmente vivenciar alguns jogos e reflexões durante as aulas de Educação Física. Por quê? O motivo é visível, nós adultos, estamos perdendo a sensibilidade, o sentido de companheirismo, esquecendo de que para viver precisa-se de pouco. Portanto, são as nossas ambições que punem milhões de crianças diariamente que tiram-nas o direito de viverem.

Eu acredito que a beleza da vida está nas coisas e nas atitudes mais simples, sendo este o motivo de algumas crianças serem tão felizes, pois não precisam de muito. Eu sei que estas crianças privilegiadas também sofrem, afinal são humanos, mas proporcionalmente aos adultos e aos "irmãozinhos" que vivem na miséria é bem menos. Elas conseguem tornar o que para nós é supérfluo ou normal em algo esplendido, além disso, não valorizam os pequenos problemas e nem os criam, apenas vivem.

Não possui nada mais belo do que o sorriso de uma criança é algo encantador para isso todas necessitam de amor, de serem ouvidas e precisam passar por desafios. Além disso, nós os adultos devemos sempre mostrar-las a realidade existente, sem fantasias e ilusões. Pois ao contrário ficarão achando que a vida é só felicidade. Precisamos tratar-las como crianças e não como adultos em miniatura, forma-las para o presente e assim serem grandes sem pisar e menosprezar os outros.

O meu desejo, meu desejo era ser criança,

Para poder brincar e sonhar.

Ver o sol nascer e se esconder,

Tendo sempre a mãe para acariciar.

Eu queria simplesmente viver

Esquecer de planejar o amanhã

Fazer o que de vontade

E só preocupar com o que há.

Como não posso voltar o tempo

Fico então a cultivar e formar

Nesta vida curta, fulgaz

Sonhos para um dia realizar.