Finalmente terminei de ler o livro de Lucia Hippolito- Por dentro do governo Lula. Talvez este tenha sido o que eu mais demorei, foi quase um mês e ainda estou tentando entender. É verdade, não consigo compreender porque o enorme preconceito de setores da mídia e dos grandes proprietários possuem com o Lula. É isso mesmo, o problema não é o governo com seus projetos, pois este não mudou muito das administrações liberais ou neoliberais anteriores, mas o "preconceito" é com o Lula ou seria da classe que ele veio?
O atual presidente constitui uma exceção. Isto porque poucos são no mundo e talvez no Brasil ele seja o único a ocupar o cargo de gestor máximo do país vindo da classe trabalhadora. Ele é uma imagem legitima da maioria da nossa população, menino que vêm de uma família pobre, pais lavradores, nascido no interior especificamente no nordeste e que desde cedo teve que trabalhar para ajudar em casa. Tudo que aprendeu foi na lida diária, pois lhe foi negado o direito a escola. Foi preso, torturado, sindicalista e fundador do partido dos trabalhadores.
Lula sempre teve uma forte relação com os setores sindicais e com a luta dos trabalhadores. No entanto, a materialização de políticas públicas para a melhoria da qualidade de vida de quem o elegeu está distante. Quando ainda era deputado abominava a possibilidade da união entre capital e trabalho. "A tese da integração entre o capital e o trabalho é um engano; jamais poderá haver integração entre o explorado e o explorador". Mas hoje o discurso é outro, o projeto de socialismo foi engavetado. Ele está bem distante de ser o Chaves ou o Morales. E mesmo assim continua a ser criticado por quem vem sendo beneficiado. Por quê?
A crítica e auto-crítica é uma arma fundamental para todos os marxistas como coloca Mao e deve ser realizada. A carta capital por exemplo faz muito bem, pois é uma crítica coerente ao governo e aos seus projetos conservadores, mas os tradicionais urubus do poder tem é preconceito, é raiva de classe. Portanto, preconceito ou o òdio que está no diário de Lucia Hippolito e encontrado diariamente na mídia, configura como sendo de classe. Os setores dominantes da sociedade quando criaram a estrutura do Estado não acredivam que alguém de fora do "ninho" pudesse ocupar o cargo máximo existente no país. Isso é visível no tratamento que a imprensa faz quando o presidente repete as ações de Fernando Henrique Cardoso, com os mesmos princípios ideológicos. Quando este fazia era aceitável porque era o professor, doutor FHC, mas basta o Lula fazer para ser chamado de analfabeto, ignorante grosseiro, alçado a um posto que não lhe cabe. Como dizem é o mesmo peso, mas com medidas diferentes.
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