13.4.07

João em Versos

No último natal ganhei, de uma amiga, um livro de presente, não, não era só um livro, era o livro. O autor era João Cabral de Melo Neto e o título: melhores poemas que fora selecionados por Antônio Carlos Secchin. Eu que nunca havia tido a oportunide de debruçar-me sobre os rabiscos poéticos tinha em minhas mãos uma primazia da arte em escrever em versos. Como uma criança quando ganha um brinquedo, despir de toda a majestade de "intelectualoide" imposta pela academia e deleitei sobre as páginas ainda não molestadas pela inteligência deste humano.

Como um malfeitor comecei a malhar de um em um os versos escritos com a sensibilidade de um artesão e habilidade do guerreiro dominador do mundo das letras que com minimas palavras transmite para os alfabetizados a infinidade dos raios de luzes que direcionam os passos deste planeta formado de Severinos, Marias de reis, rainhas e presidentes. Há tem os escravos e operários, os patrões e os delegados enfim o chicote e os chicoteados.

Passados quatro meses eis que retorno aos velhos versos com a mesma paixão do passáro que esqueces de todos os riscos e doa-se pelo seu filhote recém nascido. Entretanto desta vez, não mais como o simples ignorante que ajudava a roda a girar e o mundo a rodopiar, mas como ignorante necessário que entendeu que o mundo é sua invenção e o homem seu irmão de condução.

Ao voltar a ler as linhas e entrelinhas do livro de poemas do velho João, ele que agora encontra-se em lugar desconhecido pela ciência, mas celestial para os humanos crentes no ser onipotente e onipresente, sinto as algemas menos apertadas e as navalhas do canavial menos presente e cortante. Mas, as cicatrizes, ainda, estão abertas, as pedras e o relho continuam a dilacerar vidas e sonhos.

Neste momento que o sol pôs a sair e as nuvens desvanecem aos poucos, matuta na minha mente diversas indagações, mas para uma não tenho resposta e portanto, questiono as vozes do infinito para onde a roda deve ir?

Tecendo amanhã*

"Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito de um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos".

*João Cabral de Melo Neto

Morte e Vida Severina

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