4.11.10
O show do resgate dos mineiros
Recentemente o resgate dos mineiros chilenos foi o assunto principal em diversas emissoras de televisão do mundo, eles tornaram estrelas, entretanto o que me chamou atenção foi à superficialidade das discussões dos comentaristas e a super exploração daquele momento pelos meios de comunicação, pelos políticos e pelas grandes empresas. Desta forma, centro este devaneio em três aspectos: a relação capital-trabalho, aludindo a situação dos mineiros no Chile semelhante situação de trabalho de milhões de pessoas no nosso país; o circo midiático montado no resgate; e por fim, as eleições de 2010.
O interessante que a mídia transformou aquela situação catastrófica, em um grande espetáculo, faturando em cima da dor, desespero e necessidade daquelas pessoas de estarem trabalhando em situação insalubre, o que faz lembrar as condições de trabalho do século XVIII. Enquanto, os mineiros ficavam esperando o socorro, os patrões continuavam concentrando renda e tornando mais ricos (e, de camarote assistiam o resgate, comendo pipocas e vendo os comerciais de suas empresas). A preocupação dos veículos de comunicação não era com os chilenos soterrados e nem com o absurdo de encontrarmos em pleno século XXI seres humanos trabalhando e vivendo em condições sub-humanas. O verdadeiro show promovido tinha objetivo simplesmente de faturar mais “verdinhas” afinal, por trás das lentes possui grandes empresas.
A situação de milhões de brasileiros não é diferente daqueles chilenos, coadjuvantes das transmissões midiáticas, que diariamente lutam em diversas situações para levar para casa o alimento para continuarem vivendo e no caso de nossa região ainda precisam “fugir” para outros lugares para conseguir isso. Penso que a saída não é a humanização do capital mas, a transformação do modo de produção, não basta apenas às migalhas.
Esse debate apareceu superficialmente nesta eleição de 2010 e neste segundo turno foi definitivamente esquecido, todos falam em amenizar a situação da população brasileira alguns de forma mais incisiva com um Estado mais forte e interventor, já outros com a diminuição do Estado e por consequência das políticas públicas. Infelizmente são essas as opções que temos neste momento e felizmente somos atores de nossa história e temos a capacidade de transformá-la. Desta forma temos que sair da platéia e assumir o roteiro desta sociedade.
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