7.11.10

Dilma é aí?

Já faz uma semana que tivemos o término do processo eleitoral e o resultado para presidente deu a vitória para uma mulher, Dilma, a primeira na história deste país. Entretanto, o fato de ser do gênero feminino não significa muito, será apenas um símbolo como a eleição de Obama, negro, nos EUA, o preconceito continuou existindo. O ponto de análise deve ser sobre o projeto que ela possui para o Brasil nos próximos quatro anos, será o mesmo do Lula já que são do mesmo partido político? Ou teremos mudanças “à esquerda”?
Dois projetos não muito distintos estavam disputando as eleições deste ano, um representado pelas forças de centro-direita que pelas administrações nos governos municipais, estaduais e federal apontam para um Estado menor, preocupados em cortar gastos e criar as condições necessárias para o capital expandir e consequentemente crescer a acumulação. Já a Dilma, o PT, apesar das politicas ao longo destes oito anos em direção a direita ainda apresentam como proposta um Estado mais presente na resolução dos problemas sociais. Tanto é assim, que nas classes mais baixa ela obteve maioria absoluta de votos.
No governo Lula, tivemos os problemas sociais sendo amenizados e os grandes bancos, empresas, a classe alta continuou lucrando. Na verdade ele tentou “servir a dois senhores”, como se isso fosse possível, buscou reduzir as desigualdades, a pobreza e manter o ganho dos donos do capital.
O fato é que milhões de pessoas ainda continuam passando fome, dormindo debaixo das pontes, viadutos, os sistemas de saúde, educação funcionam precariamente e o que deveria ser prioridade não está na agenda do governo federal, aliás, prefere construir estádios a casa para as pessoas morarem. A Dilma da mesma forma que o Serra teve sua campanha financiada por grandes construtoras, bancos e assumiu compromissos como o Lula em 2002 e 2006 de não mudar o rumo da economia e das politicas públicas do Estado.
Tomara que esteja errado mas, o país que possui um dos piores IDH do mundo continuará nesta situação, teremos apenas uma amenização da situação da nossa população contudo, nada muito diferente do que estamos vendo atualmente. É preciso fortalecer a esquerda, fortalecer os movimentos sociais que durante o governo Lula foram cooptados e travar a luta nas arenas, inclusive na democracia burguesa, por uma sociedade mais humana e justa para todos.

Um comentário:

Manoel Gomes disse...

Aqui vejo um Wagner muito diferente daquele que quase fez(?)apologia da eleição de Dilma, que enveredou pela questão de gênero, como se dentro do modo de produção capitalista isso fosse importante ou alterasse alguma coisa! Imagina quando for a eleição do primeiro preto no Brasil, vai demorar, eu sei, mas vai ser a mesma coisa, a utilização de uma questão "menor" na busca incessante pelos votos, nada mais que isso, como você mesmo cita o caso Obama! Meu caro amigo, políticas como as de Dilma e Serra só servem para perpetuar o grau de miséria dos miseráveis. Temos a mais alta taxa de juros do mundo,isso é bom para quem? Para aqueles que vivem do bolsa família? A grande ironia é que é justamente esse segmento quem assegura a perpetuação do seu próprio sofrimento! Você vai me perguntar: o que fazer, então? Deixar Serra Ganhar? Seu texto dá a resposta! Tanto fazia quem fosse o vencedor da eleição, tanto um quanto o outro faria/fará aquilo for importante para o grande capital,que assegure a continuação da exploração do trabalho, nada mais que isso...o pacto de Lula/Dilma com a direita referenda isso, que o digam Sarney, Collor, Renan Calheiros...pena que aqueles que votaram em Dilma e Serra, na sua grande maioria, não vão ler seu texto, o que é uma pena!...grande e afetuoso abraço, meu camarada!