As olimpíadas chegaram ao fim e o Brasil continua na mesma, tanto no quadro de medalhas quanto nas inúmeras mazelas sociais. Desta vez, não pude está acompanhando plenamente, o trabalho e a ausência de uma TV em casa diminuiu o meu tempo na frente da telinha. Mas, sabe que nem sentir falta. Lembro-me da copa de futebol de 98 quando o Brasil perdeu na final e eu derramei lágrimas, fiquei tão mal que até os vizinhos consolaram, por isso, entendo a reação dos meus alunos perante o “fracasso” do país, contudo, para mim o resultado é indiferente. É verdade, que ali no calor do jogo até envolvo, é algo próprio do ser humano.
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Criaram uma expectativa enorme, especialmente a mídia, após a realização dos jogos pan-americanos do ano passado, alguns chegaram a dizer que finalmente o Brasil havia tornado uma potência esportiva. Afinal, não tinha como esquecer as oito medalhas do nadador Tiago Pereira, a disputa entre o Brasil e Cuba pelo segundo lugar geral da competição, o investimento público que nunca foi tão alto como agora e também o aumento na quantidade de atletas participantes.
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Parecia que tudo conspirava a favor, entretanto, esqueceram ou omitiram um detalhe importantíssimo para um país tornar-se uma potência esportiva. Sabe qual é? Logo, logo direi, mas, antes responda: se tivesse um cargo de presidente de um país rico, mas, desigual, com milhões de pessoas na miséria tentando a sorte em um esporte para sair da vida precária e você querendo que seu país tornasse uma potência esportiva, investiria primeiro em programas e centros de excelência para formação de atletas ou melhoria as condições de vida do seu povo?
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A minha tese é que só seremos uma potência esportiva (se for isso mesmo que queremos) quando o Brasil mudar os péssimos índices de qualidade de vida de sua população, pode até ocorrer exceções, particulamente não conheço, basta olhar o quadro de medalhas para perceber que os primeiros são países que têm os problemas de pobreza, porém, em comparação ao nosso Brasil são “insignificantes”. Vou pegar Cuba como exemplo. Lembram da forma que a emissora golpista narrava a “briga” entre nosso país e o do líder Fidel no quadro de medalhas do Pan, foi por poucas medalhas que ficamos atrás, entretanto, se analisarmos o tamanho da ilha caribenha, o número de habitantes veremos que é vergonhoso a situação do Brasil. E piora, quando compararmos os índices de qualidade de vida (educação, saúde, acesso as atividades esportivas...) com os deles.
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E, só para não passar em branco, o Tiago Pereira e outros atletas do Brasil no Pan foram tão bem porque os EUA, Canadá e Cuba não enviaram seus principais atletas mas, isto a emissora golpista não disse, e cá entre nós, nem poderia, afinal seu ibope e os lucros iriam cair. Só para confirmar isso, alguém lembra qual foi mesmo a melhor colocação deste nadador?
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E, aquele que ganhou ouro e desfilou como o herói do país pela avenida paulista, aonde mesmo ele treina? EUA. É isto? Pois é, tanto o Cielo ouro na natação como a Mauri, ouro no salto, apenas vestem a camisa do país, pois, treinar mesmo aqui, nem pensar. Fizeram o Pan dizendo que o Brasil teria a partir dali estrutura para fazer grandes atletas, esqueceram que estes querem também bons salários. Assim, emerge um outro aspecto interessante para análise. Na minha humilde opinião não existe o amor em competir pelo seu país mas, sim a busca por um melhor retorno financeiro, a luta não é entre países mas, entre atletas e empresas, o esporte é um negócio como qualquer outro. Não existe mais “o importante é competir”, na verdade é necessário ganhar e só vale se for o primeiro lugar, para confirmar isso vejam quantos atletas pediram desculpas ou mesmo choraram depois de uma derrota como se esta, não fizeste parte do próprio esporte.
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Desculpem mas, vou ficar por aqui, vou ver o jogo do tricolor paulista. Torcendo para que haja uma inversão nas prioridades dos governos, é verdade que não queremos apenas comida e água, mas, primeiro é necessário satisfazer as necessidades básicas do povo para consequentemente os outros aspectos e fenômenos criados por nós seja foco das políticas públicas.
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