31.8.08

Meu mundo

O sol já brilha, o vento toca as folhas delicadamente realizando um movimento de vai e vem que nunca retornam ao mesmo lugar, as crianças brincam no campo, fazendo jogadas que jamais repetirão. Do outro lado o vizinho limpa o quintal dizendo que a pouco matou uma cobra gigante, com uma tijolada, ela já estava entrando na casa.

Neste momento, minha mãe deve está chegando da roça, junto com os cachorros (Pingo, Tica, Fofa e o sem nome) que só fazem brincar, meu pai creio, que tenha terminado de tirar o leite. Volto os olhos em outra direção e na minha frente uma mulher serenamente estende a roupa no varal, em silêncio ouço ao invés de barulho de carros, os pássaros.

Penso agora, nos sorrisos e nos lindos momentos que vivi durante estes dois anos com os “meus alunos” da quinta e sexta séries e os outros do colégio que sempre estavam nas aulas e que tivemos que nos separar. Enquanto isso, o galo lá no fundo canta uma, duas, três vezes, canta sem parar, as formigas na minha frente passeiam livremente pelo chão, carregando seu alimento e a água “corre” molhando as plantas que já produzem seus frutos. Na rua uma mulher grávida passa sorrindo de mãos dadas com seu companheiro.

Tudo está tão tranqüilo, não existe algo estranho? Parece que o mundo está diferente, cadê a correria, a volatilidade dos valores e desejos, o consumismo desenfreado, a violência? Será que acordei em outra sociedade, esta agora mais humana que encontra a beleza nos acontecimentos simples do cotidiano? Ou será que sou eu, com todas as minhas utopias vejo a realidade que gostaria que existisse?

Mas, se cada um ver o mundo de uma forma diferente, então não estou sonhando, este pode ser o meu, semelhante talvez, a tantos outros. Ao ligar a TV ela está agora mostrando o contrário de tudo que narrei, será de quem o olhar sobre a sociedade que ela expõe como sendo o mundo que vivemos?

Será que tudo isso faz sentido? Ou apenas não quero ver a dura realidade que nos desumaniza diariamente? Se for mesmo verdade que tudo é relativo, que ser feliz pode ser fácil, logo transformar os fatos concretos deste mundo injusto descrito por muitos e vivido por milhões também pode ocorrer. Porém, como fazer? “Ficar de braços cruzados não há de ser”, canta a banda Catedral e na revista que li ontem Che dizia que: “Hay que endurecer-se pero sin perder la ternura jamas”.

Vou continuar no meu mundo, agora tirar algumas goiabas para comer e um coco para sua água tomar. É uma pena, que você não esteja aqui para ficarmos na sombra batendo papo, sem ter que preocupar com as horas e as tarefas que acumulam para serem realizadas.

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