7.9.07

Resistir com propostas

Hoje terminei de ler o livro de Frigotto "Educação e a crise do capitalismo real" que um amigo me emprestou e neste momento sentir falta das discussões da UESB. Quando lá estava eram tantas que tinha dia que pedia para terminar logo, no entanto, agora estou desesperado para voltar, preciso dos debates, das opiniões divergentes. O meu espaço de trabalho infelizmente ainda não possibilita tais momentos, na verdade a escola explora muito pouco do professor, concordo, o sistema oferece menos ainda a nós. E o que fazer para mudar?

Há alguns dias li Meszáros, "Educação para além do capital", excelente suas reflexões, pois, mostra-nos que não basta boas idéias e intenções para transformar a educação visto que, está diretamente vinculada as normas e valores do sistema social vigente. Frigotto numa linha parecida aborda que este mesmo espaço vive sob contradições e conflitos, onde as classes sociais buscam impor a sua soberania. Na visão do autor a educação nacional sofre fortes influências das organizações de capital privado, estes mesmos que estão em meio a mais uma crise cíclica do capitalismo, mas também, existe o outro lado pressionando querendo uma formação humana com valores diferentes dos pregados pela atual sociedade. Ou seja, sozinha ela não muda, pois sua estrutura está subordinada a macro-estrutura do Estado mas, as ações contrárias aos ventos dominantes são essenciais para a mudança de regime.

Combater por exemplo, a teoria do capital humano é fundamental, pois, é uma das armas dos papagaios da burguesia para manutenção do status quo. Eles defendem fortemente que a diminuição ou exterminação das desigualdades sociais acontecerá quando todos tiverem educação de "qualidade", uma falácia que vem permitindo as organizações privadas ganharem espaço na sociedade e assim interferir na forma do governo elaborar as políticas públicas para este setor. No entanto, o máximo que conseguirão é colocar os indivíduos com mais "qualidade" para concorrer no mercado de trabalho e assim maquiarem a realidade visto que, os problemas sociais só serão extinguidos quando todos tiverem trabalho.

Frigotto é firme em acreditar que continua ele (trabalho) sendo o motor da atual sociedade e a construir os caminhos da existência humana, só mudando a forma que o sistema se organiza. Assim ele vai de contraponto aos papagaios da burguesia que anunciara com a queda do muro de Berlim e com a expansão do capitalismo pelo leste europeu, o fim da história, o fim da luta de classes e o capitalismo como insubstituível.

Na verdade este sistema venceu uma partida, existindo várias outras ainda para acontecerem isso pode ser confirmado por viver constantemente em crise, a mais recente vem abominando o Estado de Bem Estar, o mesmo que o salvou na década de 30. Agora como saída (conservadora) defendem o Estado cada vez mais mínimo para os pobres e um mercado mais forte-apostam na globalização, na proposta de flexibilização, qualidade total etc.

Neste sistema milhões de pessoas são exploradas e/ou vivem em situações piores que os animais irracionais. Contudo as grandes corporações continuam acreditando que para além do capitalismo não existe saída, um erro histórico. Vejo que só existe uma possibilidade real de mudança, o rompimento radical com este regime e a construção do socialismo através da consolidação da democracia. Todas as outras serão apenas "tapa buraco" que logo ficará maior.

A escola como os movimentos sociais, os partidos de esquerda e você possui nesta perspectiva um papel fundamental que não reduz apenas de resistência mas, de formular ações contra-hegemonicas minando assim, o atual sistema. Não tenho dúvida que isto já acontece no país, basta ver a constituição de 1988 que possui uma série de conquistas dos trabalhadores, é verdade que algumas ou a maioria estão ainda no papel e por isso as manifestações e as propostas devem emergir rapidamente. Vamos à luta por que só nós temos o poder de mudar tudo que desejarmos.

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