Enquanto sobem para o campo, o comentarista fala que o esporte constitui num dos principais fenômenos sociais que movimenta milhões durante todos os anos e exerce um forte poder político no mundo. Desde cedo como à religião ou a língua, ele faz parte de nossas vidas como coloca Helal (1990). Mas vamos ao jogo porque dizem que isso não interessa a ninguém, afinal não importa saber que ele foi no período industrial utilizado pela burguesia como elemento disciplinador, higienista, ou ainda, como propaganda dos Estados, inflamando valores raciais e nacionalistas e hoje tornou um bem a ser consumido e cada vez menos praticado. Para que saber que a previsão de gastos do Pan do Rio chegava a: 350 milhões e o valor gasto agora são: 3,5 bilhões e apenas uma minoria que não é aquela que mora nos bairros periféricos será beneficiada e, portanto com este dinheiro seria muito melhor realizar projetos nas comunidades. Chega, quero é jogar.
O jogo continua a vida segue cada um cumprindo a função anteriormente determinada pelo comando supremo. Sem questionar, sem se arriscar, tudo como tem que ser. O comentarista coloca que as chances são as mesmas, já que o sol nasce para todos e ganhará aquele que tiver melhor preparo e mais força de vontade. Derepende o narrador grita pênalti a favor da seleção do patrão. Bola no lugar, juiz com dinheiro na carteira, corrente humana na arquibancada, prontos para gritar gol do chefão. E começam a cantar todos juntos vamos pra frente chefão, salve o capital. E, explode o grito de goooooool, é o primeiro do capital que ensaia umavitória histórica.
Um, dois, três, a zero marca o placar a favor do capital no final do primeiro tempo. Um, dois, três são o número de tiros que levou a criança, o policial e a dona de casa. Um, dois, três são os felizardos com o atual sistema excludente que inculca seus valores em todos os espaços da vida inclusive num jogo. Intervalo, marca o juiz, momento de refletir, de rever as estratégias de luta e virar o jogo. Será possível? Você acredita na mudança? Vamos extinguir estes valores de individualismo, de competitividade, de insensibilidade etc, presentes neste sistema social vigente?
Colocaram você para o segundo tempo, vamos virar esse jogo? Chega de sermos manipulados, receber ordens e seguir leis que não criamos. Vamos fazer um novo jogo, onde todos possam ser realmente iguais, sem explorados, afinal somos todos humanos.
Este texto com suas metáforas possui suas origens no prazer que possuo desde crianças em está praticando esportes com meus amigos, isso simplesmente pelo prazer, no entanto, sinto que essas vivências estão tornando cada vez mais difícil. Além disso, emerge também de debates em uma comunidade do Orkut-repúdio a ignorância política e uma reportagem de uma pessoa especial.
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