7.12.08
A vida ( em) líquida (ação?)
A vida líquida preconiza o desapego total, a volatidade dos valores, o descartável e o momento, sendo tudo rápido e urgente de ser realizado para logo ser apagado. As relações entre as pessoas não possuem sentimentos, são como contratos com metas a serem atingidas, do contrário são rompidos. Os objetos hoje de última geração, amanhã já são ultrapassados e motivo de chacota.
"Nada de ficar parado, se bobear fica para trás e acaba sendo um inútil". Essa é a ordem, é o mundo de competição, constante, as pessoas não mais percebem o outro como seu semelhante mas, como alguém que deseja ocupar o seu lugar. É interessante a forma como vai se formando este e outros comportamentos, afinal não nascemos assim é a nossa cultura que diz como devemos ser. A pseudo-metamorfose que vivem as pessoas e consequentemente a sociedade anunciada atualmente pelos iluminados pós-modernistas apenas consolida o velho que se diz novo modelo de vida, que é degradante.
A forma que estamos vivendo apenas significa bonância para a minoria que têm a maioria sobre o seu controle. Estes sofrem bem mais, óbvio, não tendo escolha a não ser participar deste jogo com resultado previamente definido. Seria uma insensibilidade dizer que não devem ligar aos valores da sociedade líquida, é a opção que lhes restam para não tornarem lixo.
Lixo sem dúvida é o que mais se produz, os humanos não consumistas considerados "inferiores" fazem parte dele. Aqueles que ainda ousa ver, como faço agora, a beleza do vai e vem dos galhos das árvores, a chuva caindo mansamente no solo, o canto dos passáros e o võo das mariposas, dificilmente vai figurar no topo da pirâmide. Ainda bem que não quero, prefiro continuar apegado as pessoas, a sentir saudades de quem está longe, a gostar da natureza, a indignar com tantas mazelas sociais enfim, prefiro ver o tempo passar lentamente sem ter medo de ficar para trás e nem de ter minha idelogia tida como antiga. As minhas certezas acabam superando o medo criado pelas incertezas da modernidade.
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