Já tem algumas semanas que assistir o filme "Meu nome é rádio", maravilhoso, possibilita reflexões profundas na forma que conduzimos nossa vida, sobre os nossos valores. Ainda não esqueci, na verdade tocou em mim tanto que levei para ser discutido com algumas turmas que ministro aulas. Destaquei na conversa com os discentes, aliás, eles conseguiram perceber bem nas entrelinhas do filme o quanto precisamos rever a forma que enxergamos o nosso semelhante.
É sabido que a sociedade capitalista valoriza a eficiência, aqueles que podem produzir bem e mais são sempre aceitos, as crianças, os idosos e aqueles que possuem alguma necessidade especial são descartados. Diante deste principio eles tentam nos dividir em dois grupos: os humanos necessários e os desnecessários. Rádio enquadrava neste segundo por possuir uma "deficiência" mental e por isso sofria todos os preconceitos. No entanto, esqueces os "ideólogos" burgueses que a diferença é uma marca humana, todos nós somos deficientes e eficientes em alguma coisa, da mesma forma que ele tinha suas limitações, nós temos as nossas. Aceitar isso é algo que temos que fazer, pois será um passo importante na destruição deste sistema social que nos desumaniza e nos coloca um contra o outro.
Definir o que realmente queremos (é algo marcante também no filme) é fundamental para todas as ações, pois assim teremos clara a nossa prioridade, sendo todas as outras coisas secundizadas. Sonhar com um mundo diferente e sempre acreditar que é possível vivermos em um novo tempo é o combustível que permite continuar trabalhando contra a maré por mais que as ondas contrárias sejam fortes e sangrias.
Neste momento que estamos na frente de um computador milhões de pessoas pedem, choram aos pés de seus semelhantes por um prato de comida ou uma casa para morar e muitos não tem nem a compaixão de doar mesmo que seja o mínimo possível. Este sofrimento é visto em todos os continentes, mas, somos insensíveis à dor do nosso semelhante, não somos capazes de ajudar. O garoto no filme sofria de forma diferente, passou anos sem o carinho das pessoas, o sofrimento dele era o de ser discriminado por sua "deficiência", seu sonho não poderia realizar pelo egoísmo, preconceito dos seus semelhantes. Como podemos tratar nossos irmãos tão mal? Como uma nota de papel verde pode valer mais que a realização de um desejo humano? Quando tudo isso acaba, espero que não demore. Espero que superemos logo esta deficiência.
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