20.3.07

Qual é a música?

Desde o período primitivo que os seres humanos fazem música, mostrando suas dores, alegrias e os acontecimentos marcantes. No Brasil, pela diversidade existente, cada região possui ritmos próprios, marcos específicos. No entanto, com o surgimento da indústria cultural inicia-se por parte da elite uma tentativa de padronização musical, buscam criar estilo único, facilitando e aumentando seus lucros com a venda desta manifestação artística. Basta sintonizar nas programações seja de rádio, TVs para percebermos que são sempre os mesmos cantores ou estilo musical presente na grade das programações. Têm emissoras que repetem várias vezes durante o dia a mesma música, construindo um padrão de qualidade desconfiável.

Eu sempre gostei de músicas, adoro ligar meu “radinho” de pilha e ficar ouvindo as músicas, os comentários, as ligações das pessoas com assuntos diversos e as manhãs sertanejas com músicas ligada à vida no campo, muito bom. Nas cidades menores, interior, o rádio continua sendo o principal meio de comunicação, principalmente para os moradores da zona rural. Mas é visível a influência da indústria cultural mesmo de forma inconsciente em muitos radialistas ou ouvintes.

Ficou perceptivo meu gosto pelas músicas ligadas o trabalho na fazenda, mas não resisto aquelas que me faz pará e ficar minutos, horas e dias refletindo sobre suas letras como as de Geraldo Azevedo que estou ouvindo agora. Lógico que as primeiras também nos fazem refletir sobre a vida, mas é que estas últimas são mais diretas, “específicas”. Dentre todas têm uma que nunca esqueço, e inclusive usei na minha formatura, nenhuma mexe tanto comigo como "Another Brick In The Wall Part 2 " de Pink Floyd. Eu não gosto de músicas estrangeiras, no entanto, assistindo o clip dela e vendo a tradução fiquei impressionado e triste com a constatação da banda sobre a educação e principalmente em relação aos professores. Eles dizem: “Nós não precisamos de educação. Nós não precisamos de controle mental. Sem sarcasmo obscuro, na sala de aula. Professores, então, deixem as crianças em paz!! Eii, professor, deixe nós, as crianças, em paz!! No total, você é somente mais um tijolo no muro[...]”. Não tem como ouvir ou ler e não “viajar” em suas letras.

A música faz parte do nosso cotidiano e é de suma importância para nossa formação por isso acredito que elas têm sempre algo para acrescentar, ajudando a tonarmos mais humanos. Não consigo admitir que as pessoas simplesmente ouçam, leiam ou conversem e no final não apreendem “nada”. Posso está errado, mas é pensando assim que acredito na necessidade de aproveitar melhor o tempo livre que possuímos para questionar, duvidar sempre de qualquer suposta verdade.

"Entra ano, sai ano, cada vez fica mais dificil o pão, o arroz, o feijão, o aluguel. Uma nova corrida do ouro o homem comprando da sociedade o seu papel. Quando mais alto o cargo maior o rombo. Eu dando milho aos pombos no frio desse chão" (Geraldo Azevedo).

Um comentário:

Unknown disse...

De fato professor. Não resta dúvida de que a música sempre traz uma mensagem implícita ou explícita pra nós, independente do ritmo. Assim como o Geraldo Azevedo, existem outros artistas q tratam os fatos cotidianos de uma maneira bastante singular como Caetano(Haiti), Chico Buarque(Meu Guri) Gabriel Pensador(várias)entre tantos outros.
Uma pena que na maioria das vezes, artistas como esses apareçam nas rádios apenas no horário do almoço, geralmente um período do dia em que muitas pessoas encontram-se almoçando ou assistindo ao esporte e outros programas na TV!

Grande abraço...
Professordu!